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sábado, 19 de setembro de 2009

Rogério Santos - citação (jornalistas e fontes)

«Jornalistas e fontes de informação têm interesses específicos. A fonte noticiosa, através de informação, contra-informação, lóbis e fugas de informação, pretende "conduzir" o jornalista a um objectivo definido - publicitar as suas realizações. Os jornalistas, que investigam, seleccionam e produzem informação têm critérios pessoais e sociais, com rotinas de trabalho e normas profissionais que os regem, para validar ou não a publicitação dos acontecimentos organizados pelas fontes de informação.» (...)
«As fontes de menores recursos apostam na intriga, desvendam as rivalidades de organizações maiores e adequam-se às necessidades dos jornalistas (rapidez nas respostas, enquadramentos noticiosos). Com frequência, as fontes rivais saem do interior de organizações e, através de fugas de informação ou balões de ensaio, boicotam os projectos das organizações a que pertencem. Graças a redes de contactos informais com jornalistas, há uma significativa porosidade nas estruturas das organizações, o que as vulnerabiliza. Uma multiplicidade de interesses - que, no extremo, leva a que qualquer pessoa possa ser fonte de informação - serve os objectivos dos jornalistas, que procuram novas notícias sem cessar.» (...)
«Muitas delas, que trabalham e fornecem informação empacotada, destinada a consumo jornalístico, mostram uma componente proactiva indispensável para a sua colocação nas notícias. A estratégia seguida pela fonte é fazer chegar aos jornalistas informação julgada útil para a sua organização. Apesar de as regras habituais indicarem que as fontes devem prestar informação correcta, muitas vezes trabalham com dados falsos, produzem fugas de informação e lançam "balões de ensaio", na tentativa de antecipar resultados ou previsões e estudar reacções de adversários ou de um grupo social completo.» (...)
«O jornalista aceita melhor as fontes oficiais, categoria fundamental nas notícias. Estas nem sempre dão a resposta pretendida, de imediato. Primeiro, porque há que ponderar a altura certa para divulgar a resposta. Segundo, porque não se tem a certeza total da eficácia da informação e se espera que outros agentes se pronunciem sobre o assunto. Terceiro, porque à fonte oficial nem todos os jornalistas ou meios noticiosos interessam. A escolha destes é feita com critério, tendo em conta o prestígio do jornalista ou do jornal.
À fonte oficial interessa que corra tudo bem; por isso, preocupa-se com a escolha do meio noticioso e do jornalista, fornece a informação de acordo com os seus objectivos, faz um acompanhamento da acção, está atenta ao que se passa em volta. Com frequência, os jornalistas operam mais no domínio da obtenção de declarações e opiniões de fontes poderosas e interessadas na sua divulgação e menos na busca de factos novos e correlação com outros factos (Wemans, 1999:66). Outras vezes, ficam-se pelas expressões "tentámos apurar sem êxito", "a fonte não quis revelar", "a fonte preferiu não adiantar", o que encobre dificuldades dos jornalistas em obter a informação necessária» (...)
«Por seu lado, as fontes não oficiais (associações, empresas de menor dimensão, grupos cívicos, organizações não-governamentais) lutam pela divulgação dos seus acontecimentos.»(...)
«As empresas poderosas têm maior capacidade de controlar os seus contactos com o exterior, ao criarem barreiras formais e informais que inibem qualquer representante de falar abertamente dos problemas internos da organização. Além disso, as organizações de estruturas mais frágeis - como sindicatos, associações ambientais, de saúde ou de apoio social -, de estruturas abertas e com níveis hierárquicos fracos revelam mais facilmente as dissensões e os problemas internos.»
in A fonte não quis revelar, pp. 32, 35/6, 75, 77/8/9