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domingo, 17 de janeiro de 2010

Terramotos e Filosofia

Esta última tragédia no Haiti trouxe-me à memória o modo como o terramoto de 1755 em Lisboa tinha influenciado algumas das conclusões do pensamento filosófico de Kant e de Voltaire. Este último escreveu um poema aquando do terramoto, onde combate a máxima de que "tudo está bem", considerando-a como um insulto às dores da vida, e contrapõe a esperança de um melhor futuro construído pelo homem (e lá se foi o optimismo).

Muda é a natureza que em vão interrogamos.
É preciso um Deus que fale ao género humano.
Só a ele cabe sua obra explicar,
Consolar o débil, o sábio iluminar...
Nossa esperança é que algum dia tudo esteja bem:
Mera ilusão é que hoje tudo esteja bem.
(Voltaire)

Se a Filosofia e a Ciência se construiram na tentativa de entender e explicar os fenómenos da Natureza (na Grécia continua a haver muitos tremores de terra), devido ao terror causado pelos mesmos (há similitude nas palavras terror e terra), e se o terror se consegue prever no horror, o horror, por seu lado, resulta de nada se poder prever na nossa relação com a Terra.