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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Grécia seduz investidores chineses

Apesar da crise que atravessa, a Grécia continua a ser um país atractivo para a China, que acaba de assinar treze contratos com empresas gregas, principalmente no sector marítimo.
O Vice-Primeiro Ministro chinês Zhang Dejiang chegou a Atenas a 15 de Junho para uma visita oficial de dois dias, acompanhado por uma delegação de empresários, no decorrer da qual foram assinados treze contratos no valor de várias centenas de milhões de euros, nos sectores aeroportuários, da construção naval e da logística.
Os dois países são complementares no sector marítimo. Enquanto a Grécia possui cerca de 3.000 navios mercantes, a China tem uma grande necessidade de fazer transportar os seus produtos para os países ocidentais. E dos treze contratos assinados, sete respeitam ao sector marítimo. A empresa Cosco, o gigante chinês especialista em transporte marítimo e na construção de barcos, aprovou os acordos com o armadores gregos para o comando de vários barcos de mercadorias, o fretamento de barcos e a criação de uma empresa comum.
O porto do Pireu, perto de Atenas, interessa muito aos chineses e o grupo de construção BCEGI vai construir nas imediações desse porto um centro hoteleiro em associação com a sociedade grega Helios Plaza.
O interesse dos chineses pelo porto do Pireu, um dos portos mais importantes do Mediterrâneo, já data de 2008, quando o grupo chinês de transportes Cosco desembolsou 3,4 mil milhões de dólares para obter uma concessão para a gestão dos contentores no porto, e com o objectivo de aumentar e de modernizar o Pireu. A capacidade de acolhimento actual, que se situa nos 1,6 milhões, deverá duplicar com as alterações previstas.
Por outro lado, a empresa chinesa Huawei Technologies assinou um acordo de cooperação com o grupo de Telecom grego OTE. Estes acordos poderão trazer um balão de oxigénio a um país em grave crise financeira e, embora constrangido a aplicar um plano drástico de austeridade, Atenas decidiu relançar a sua economia.
Aliás, outros países estão interessados em investir na Grécia. O Qatar já investiu numa fábrica de gás natural na zona oeste do país, e anunciou a intenção de prosseguir com os seus investimentos. E a Turquia, o inimigo jurado, pode vir a ser também um parceiro económico da Grécia, tendo o Primeiro Ministro turco assinado já uma vintena de acordos nos sectores do turismo, da energia e do ambiente.
Tudo isto fez-me lembrar o texto que publiquei há dias sobre a apreensão dos EUA com a desvalorização da moeda chinesa e do euro e que agora, com todos estes investimentos que os chineses estão a fazer na Grécia, imagino que estejam já a roer as unhas. E para nós, europeus, a China acaba por ser incontornável.
O que tudo isto também me mostra é que não há quem queira investir em Portugal, com a consequente criação de postos de trabalho, e embora a agência Moody tenha baixado ontem ainda mais a notação da Grécia e nos tenha deixado em paz.

Fonte: RFI 
Foto de George Papandreou e Zhang Dejiang por Reuters.

sábado, 12 de junho de 2010

EUA apreensivos com a desvalorização do yuan chinês e do euro

Na passada quinta-feira, 10 de Junho, o Secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, afirmou que iriam sancionar a China por esta manipular as taxas de câmbio da sua moeda «com vista a obter uma vantagem injusta no comércio internacional».
Na Comissão de Finanças do Senado americano, Timothy Geithner endureceu a sua posição, perante o aumento do volume comercial da China, calculado em 1,8 mil milhões em Abril e que atingiu os 19,5 mil milhões de dólares em Maio. Segundo Geithner, a China tira proveito de um yuan excessivamente fraco e «manipula o valor da sua moeda» com vista a aumentar as exportações. «As distorsões provocadas pela taxa de câmbio chinesa ultrapassa em muito as fronteiras chinesas e são um obstáculo ao reequilíbrio mundial de que necessitamos», insurgiu-se ele.
Mas a China não tem qualquer intenção de revalorizar a sua moeda. «Não é do interesse de ninguém, nem da China, nem dos EUA, nem de outros países, ver grandes subidas do yuan ou grandes descidas do dólar», declarou em Maio último o Vice-Ministro chinês do Comércio, Zhong Shan, num discurso na Câmara de Comércio americana. Mesmo assim, Timothy Geithner irá pressionar Pequim na próxima cimeira do G 20 para que o país altere a taxa de câmbio do yuan.
Por outro lado, a desvalorização do euro em 6% face ao dólar, está também a contribuir para que as trocas comerciais dos EUA com o resto do mundo tenham vindo a diminuir. Segundo os números publicados no dia 10 de Junho pelo Departamento do Comércio em Washington, a zona euro, primeira parceira comercial dos EUA, é responsável pela queda em 30% das trocas comerciais dos EUA, em Abril. Não só desceu o valor das importações de bens americanos a partir da zona euro em 3,1%, como também o das exportações para a zona euro em 5,7%, o que constitui um duplo golpe para a economia americana, uma vez que a China e a zona euro são os seus principais parceiros comerciais.
Então, em que é que isto nos afecta? Aparentemente em nada, se o euro não desvalorizar muito mais, pois, por enquanto, até tem beneficiado as nossas exportações e é disso que necessitamos mais do que nunca.
É claro que a China, ao incomodar deste modo os EUA, que até prevêem sanções pelas práticas referidas (não estou a ver como se impede um país soberano de desvalorizar a sua moeda), é também um concorrente muito forte da União Europeia e tem a possibilidade de desvalorizar a sua moeda sempre que o entenda, contrariamente ao que se passa com o euro, cuja desvalorização se deve a diversos factores bem conhecidos de todos nós.
 
Fonte: RFI
Foto de Timothy Geithner, por Reuters/ Jonathan Ernst

domingo, 6 de junho de 2010

Referendo na Eslovénia para resolver conflito territorial com a Croácia

Em direito marítimo, são as fronteiras litorais de um Estado que determinam o traçado das suas águas territoriais, calculado segundo uma linha meridiana a partir da costa. Com os seus 37 quilómetros de litoral a noroeste, sobre o Adriático, a Eslovénia não dispõe senão de um pequeno quadrado de soberania marítima, encravado entre as águas territoriais italianas a norte e croatas a sul.
Mas, e mais importante, a Eslovénia não dispõe de qualquer acesso a águas internacionais, principalmente a sul. E é esse corredor de acesso que a Eslovénia reclama, propondo-se para tanto a modificar as suas fronteiras terrestres em algumas centenas de metros, para que, por projecção, o traçado das suas águas territoriais atinja as águas internacionais.
Não tendo os dois Estados (Eslovénia e Croácia), em 18 anos, conseguido chegar a um acordo sobre este assunto, porque a Croácia sempre se mostrou reticente a qualquer concessão territorial, mas querendo aderir à União Europeia em 2012, de que a Eslovénia já faz parte e que tem usado essa questão para retardar a entrada da Croácia, os Primeiros-Ministros esloveno e croata resolveram, em Setembro último, aceitar em delegar a resolução desse conflito à arbitragem da União Europeia, resolução que está hoje a ser referendada na Eslovénia, ou seja, os eslovenos vão dizer se aceitam ou não que uma autoridade internacional tenha a última palavra na resolução deste conflito territorial com a Croácia.
O acesso a águas internacionais continua a ser, sem dúvida, de importância capital para qualquer Estado, já a adesão à União Europeia, nos dias que correm, poderá ter deixado de ser tão apelativo para quem, eventualmente, esteja a pensar apresentar relatórios e contas falseados sobre a situação económica e financeira do respectivo país. Mas como a Croácia quer tanto a sua adesão, certamente que terá todos os requisitos necessários e prontos a serem escrutinados à lupa pela Comissão que faz a avaliação, e, assim, este conflito territorial com a Eslovénia até poderá chegar a bom porto.

Fonte: RFI
Foto por AFP/ H. Polan

domingo, 30 de maio de 2010

O motivo por que a Fitch desceu a notação de Espanha

Embora em Espanha se tenha aprovado um plano de austeridade a fim de reduzir a dívida pública, é a dívida dos particulares que está a deitar tudo a perder. Com efeito, a dívida acumulada pelos particulares e empresas assombram o futuro económico do país, um fenómeno que acaba de ser sancionado pela agência de rating Fitch ao baixar, na passada sexta-feira, a nota de Espanha de AAA para AA+.
Assim, e paradoxalmente, as medidas de rigor adoptadas pelo governo espanhol poderão vir a voltar-se contra ele, pois, segundo a agência Fitch, elas vão contribuir para a redução do crescimento económico, o que agravará a situação das famílias e das empresas.
Em Espanha, é o nível da dívida dos particulares que constitui um verdadeiro problema, uma vez que ronda os 178% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, três vezes superior à dívida pública. A responsável por esta situação foi a "bolha" imobiliária, durante a qual os espanhóis se endividaram ao máximo, bem como as empresas construtoras. Assim, a subida de impostos, a redução das despesas sociais e o aumento do desemprego para 20% fazem aumentar a possibilidade de incumprimento por parte dos particulares no que respeita ao pagamento das suas dívidas junto dos Bancos credores, e como os Bancos subiram as taxas de juro, tal constitui mais um obstáculo à retoma da economia.
Numa outra escala, tudo isto me parece muito familiar, e talvez só tenhamos de aguardar mais alguns dias para vermos também descer de novo a notação da República Portuguesa.

Fonte: RFI

sábado, 22 de maio de 2010

Como disse, senhor Presidente ?

Cavaco Silva disse ontem na RTP que não está surpreendido com a situação do país porque tem dezenas de documentos, elaborados desde 2003, que apontavam para este desfecho se se mantivessem as opções políticas de gastar além das nossas possibilidades.
Serei só eu a ver a gravidade das mesmas, seja qual for o ângulo em que as analise? É que, se considerarmos que Cavaco Silva se limitou a ver andar o barco até ao afundamento actual, é também responsável por omissão, porque quer os governos tenham maioria absoluta quer não tenham, é sua obrigação, nas reuniões privadas com os Primeiros-Ministros em funções, chamar a atenção para esses factos e tudo fazer no sentido do que é melhor para o país. Se o fez e não teve sucesso nessa chamada de atenção, uma vez que não foram alteradas as políticas seguidas, então deve esclarecer-nos sobre isso para que essa responsabilidade por omissão não lhe seja atribuída. Agora, apresentar-se apenas com um ar triste, preocupado e pesaroso, nada resolve nem esclarece. Afinal, para que serve o Presidente de um país?

Economia - Crise não surpreendeu Cavaco Silva - RTP Noticias, Vídeo

sexta-feira, 14 de maio de 2010

José Sócrates opta por um penso-rápido para atacar os problemas do país

Graças ao "apertão" na reunião dos países da União Europeia e da União Monetária no passado fim-de-semana, José Sócrates apercebeu-se da realidade, não só da portuguesa mas da europeia e, finalmente, deixou o sorriso tolo e tentou esboçar mais algumas medidas necessárias para a redução do défice, tendo em vista também a diminuição dos encargos, ou taxas de juros, com a dívida externa da República Portuguesa, mas isto só acontecerá se os nossos credores virem alguma virtude nestas medidas adicionais ao PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento).
Lamentavelmente, o plano de austeridade apresentado ontem, não é senão um "penso-rápido", já que nada foi anunciado para se dar início à resolução dos problemas estruturais do país, mas apenas para a redução do défice e, em princípio, por um período de 18 meses, sem poupar sequer aqueles que já pouco ou nada têm. Ou seja, após estes 18 meses, o défice poderá estar controlado, mas a situação do país permanecerá precisamente igual à actual, sem competitividade, sem produzir quase nada, em suma, sem uma economia digna desse nome.
A 27 de Janeiro, quando veio a público que o défice de 2009 era, afinal, de 9,3%, corrigido posteriormente para 9,4%, e escrevi sobre isso aqui, previ um aumento de impostos no Verão  por ser a maneira mais fácil que os governos encontram para resolverem os seus próprios erros. E eles aí estão, a partir de 1 de Julho. A 25 de Março, também disse aqui, que o PEC, apesar de todos os elogios de que foi alvo por instâncias europeias e pelo FMI, não era o melhor para o país, precisamente porque não atacava os problemas estruturais nem continha cortes sérios nas despesas de funcionamento do Estado, para já não falar na despesa corrente, e aí está um plano de austeridade adicional que continua com a mesma falha. Agora até tenho receio de prever seja o que for, porque mais cedo ou mais tarde a realidade impõe-se a todos.
Quero, no entanto, regozijar-me com o facto de a União Europeia ter decidido ver previamente os orçamentos anuais dos Estados-membros, o que contribuirá, a meu ver, para se evitarem os chamados orçamentos eleitoralistas, desadequados, portanto, à realidade de cada país, e que possam pôr em risco a própria existência da zona euro e, em última análise, da União Europeia.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

TPC para os ex-Ministros que vão ao Palácio de Belém no dia 10 de Maio

Sugiro aos ex-Ministros das Finanças e/ou da Economia, que vão partilhar  com o Presidente da República a sua preocupação com a situação gravíssima em que o país se encontra, o seguinte exercício, que também deverão mostrar ao Presidente: anotem, pode ser numa folhinha A4, todas as decisões que tomaram, quando exerciam essas funções, e que contribuíram também para a situação actual do país; podem até culpar os chefes dos respectivos governos e identificá-los para ficarmos completamente esclarecidos; este documento deve ser elaborado em português cuidado e compreensível a todos e tornado público.
Vou aguardar com impaciência o resultado desses exercícios de memória, honestíssimos, mas à cautela vou esperar sentada.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Acordo sobre a ajuda à Grécia está iminente

Um acordo sobre a ajuda internacional à Grécia, e na sequência de reuniões entre o Governo grego, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia, está iminente, e deverá estar concluído no próximo Domingo, dia 2 de Maio, aquando da reunião dos Ministros das Finanças da zona euro.
Entretanto, chegou-se a um acordo prévio entre o Governo grego, o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) sobre mais medidas de austeridade exigidas por estas três instituições, de modo a poder ser desbloqueado o mecanismo de ajuda financeira, num total de cerca de 145 mil milhões de euros para quatro anos.
Os sinais de abrandamento da pressão sobre Portugal e Espanha já começaram a fazer-se sentir hoje.

(Na imagem, da esquerda para a direita: Ministros das Finanças da Grécia, França e Bélgica.)
Foto por Reuters/ François Lenoir
Fonte: RFI

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Os livros excedentes vão deixar de ser destruídos

Ouvi, na Antena1, a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, dizendo que os livros excedentes vão deixar de ser destruídos pelas editoras, como o fizeram recentemente alegando que não tinham espaço nos seus armazéns para os livros não vendidos, atitude que provocou na altura uma espécie de consternação geral por esse acto quase criminoso, dado o elevado nível de iliteracia no País, conjugado com o fraco poder de compra de muitas pessoas e o elevado preço dos livros, e que as editoras não doavam às bibliotecas municipais e escolares, hospitais, centros de dia, enfim, a todo um conjunto de instituições sem fins lucrativos, porque a doação desses livros não está isenta dos 5% de IVA.
Segundo a Ministra, que não teve coragem de dizer quantos livros foram destruídos até agora por se sentir envergonhada com a sua dimensão, na próxima semana será elaborado um diploma que isenta do pagamento de IVA a doação dos livros excedentes.
Eu desejo todo o sucesso a Gabriela Canavilhas para conseguir conciliar todos os interesses em causa, pois já ouvi o Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) a dizer que tinham que ser salvaguardadas também as percentagens que respeitam aos direitos de autor. Ora, se os livros destruídos não pagam IVA nem direitos de autor, os livros doados vão ficar isentos de IVA mas ficarão sujeitos ao pagamento dos direitos de autor como se tivessem sido vendidos nas livrarias? Não sei como a Ministra vai conseguir resolver esta questão, mas ficou ainda mais claro por que é que a destruição de livros se mostrou o caminho mais fácil quando as partes interessadas não se conseguem entender. E depois mostram-se chocadíssimos!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Economia crescerá com pensamento positivo ?

O Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou hoje de 0,5% para 0,3% a perspectiva de crescimento da economia portuguesa em 2010 e previu um aumento no desemprego para 11%.
O Governo mantém a previsão de crescimento nos 0,7% e o Banco de Portugal aponta para os 0,4%.
Algumas Agências de Rating continuam a baixar a classificação atribuída à República Portuguesa, o que implica a subida nas taxas de juro dos empréstimos contraídos no exterior.
Ontem em Setúbal, o Presidente da República disse aos jornalistas, na sequência do que uns economistas tolinhos do MIT tinham previsto para a economia portuguesa, que nem lhe passava pela cabeça que Portugal chegasse a uma situação de bancarrota, e que tudo seria feito para que tal não acontecesse.
Como não sei se o Presidente disse o que disse porque era o que lhe competia dizer dadas as funções que exerce ou se foi apenas por uma questão de fé ou de esperança, talvez eu tenha que fazer um esforço para esquecer o que penso e que escrevi sobre o PEC, a crise grega, o desemprego e outras coisas miúdas mas fundamentais, porque a última coisa que quero nestas matérias é ter razão. Eu, que nem sou economista! Por isso, se do que o País necessita para melhorar o seu desempenho no campo da economia é que os portugueses contribuam também com pensamento positivo, mesmo que a realidade se apresente negativa, comecei já a fazer exercícios de mentalização nesse sentido e, se for necessário, chegarei à meditação transcendental.

(na imagem: Nebulosa do Anel)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Conferência Mundial dos Povos contra as alterações climáticas - Bolívia


Depois do fracasso da Cimeira de Copenhaga e antes da que se vai realizar no final do ano no México, iniciou-se ontem, dia 19, e decorre por mais três dias a Conferência Mundial dos Povos contra as alterações climáticas, em Cochabamba, na Bolívia, com a participação de mais de 14.000 pessoas, entre as quais representantes de várias ONG de todo o mundo e dos povos indígenas da América Latina, que, deste modo,  querem fazer ouvir a sua voz sobre esta questão e elaborar um documento que seja tido em conta na cimeiras futuras sobre o ambiente.

Fonte: RFI

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Divagações sob as cinzas do vulcão


Nos céus da Alemanha e de França já voam aviões, sem passageiros, para testarem os reais efeitos nos seus motores das cinzas vulcânicas expelidas pelo vulcão Eyjafjallajökull na Islândia. Um negócio de muitos milhões de euros por dia não pode ficar assim à mercê de qualquer vulcão que resolva dar sinal de vida, pensarão algumas cabecinhas. Como vulcões há muitos, e também na Europa, a pergunta que se deve fazer com pertinência nesta era da tecnologia e da nanotecnologia, é: o que é que a investigação científica na indústria aeronáutica tem feito para proteger os motores dos aviões, não só das cinzas vulcânicas mas, também, das areias arrastadas dos desertos por ventos fortes, já para não falar das aves que, tanto quanto sei, há muitos aeroportos que ainda utilizam aves de rapina para as "caçar". Isto seria suficiente para gracejar, se não colocasse em risco a vida das pessoas.
E se o vulcão Katla, vizinho do outro, que, segundo os islandeses, 3 em 4 vezes tem entrado também em actividade após o Eyjafjallajökull, e que é ainda mais nefasto, podendo impedir a circulação aérea durante meses?
Se no campo militar há já aviões "imperceptíveis" para os radares e toda uma panóplia de aplicações para os mais diversos objectivos, na aviação civil ainda nem se conseguiu a protecção face a uma ave ou a qualquer bicharoco atrevido, pois tem-se investido no tamanho cada vez maior dos aviões para transportarem mais pessoas, com maior rentabilidade portanto, e não nesses elementos de segurança para enfrentarem situações como a presente. E tenho quase a certeza que o investimento na segurança seria muito inferior aos prejuízos agora sofridos.
Vendo a situação por outro prisma, creio que ela contribui para a necessidade de se acelerar o investimento nos meios ferroviários e, em Portugal, no projecto do comboio de alta velocidade, bem como na melhoria das linhas e comboios já existentes. E aqui não se pode dizer que há conluio e interesses com A, B ou C, porque um vulcão não se deixa comprar nem vender, é incorruptível, e faz o que tem a fazer por natureza.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Hoje, será um dia como os outros ?

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Creio que todos saberão que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) não carece de aprovação do Parlamento português, tem sim que ser aceite pela Comissão Europeia, e o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, já elogiou o documento.
Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também considerou o PEC, se aplicado com rigor, suficiente para atingir o objectivo de redução do défice.

Então por quê todo este alarido sobre se o PSD vota contra ou se se abstém? É que o Governo apresenta também um Projecto de Resolução de apoio ao PEC com o objectivo de obter dos partidos da oposição um apoio alargado para a execução das medidas enunciadas no PEC, até 2013, ou seja, uma espécie de compromisso para que a concretização dessas medidas não encontrem entraves pontuais quando, essas sim, necessitarem de apoio parlamentar.

Assim, se a oposição votar hoje contra este documento, nada acontece de imediato em termos governativos, mas terá sim implicações nos mercados internacionais e nos critérios de avaliação das Agências de Rating. E do mesmo modo que ontem a Fitch diminui a classificação da República Portuguesa, o que resultou num aumento nas taxas de juro que o Estado tem de pagar, poderá esta mesma agência, ou outras, alterarem as suas avaliações nos próximos dias ao verem que esse compromisso com os outros Partidos não foi possível de alcançar e interpretarem a situação como um sinal de instabilidade política.

De uma coisa não nos podemos esquecer, é que de modo algum a nossa economia crescerá por si mesma (importamos quase 80% do que consumimos), e assim sendo, a nossa atenção tem que se orientar para a Alemanha, a França e a Espanha, porque dependemos, isso sim, do sucesso que essas economias conseguirem alcançar, pois são estes os países para onde habitualmente mais exportamos e, por isso, o sucesso deles será em parte a nossa tábua de salvação. Mas, como também sabemos, isso não é algo de garantido, pelo que já seria tempo de começarmos a produzir mais, não só do que necessitamos para consumo interno para não continuarmos tão dependentes do exterior, diminuindo assim a factura das importações, como no crescimento e na diversificação da nossa indústria e comércio, porque a prestação de serviços não é solução e é ainda mais facilmente deslocalizável.

Não creio que este PEC seja o que o país necessita. Preferia que contivesse cortes sérios nas despesas de funcionamento do Estado, entre outras, e que não se incomodassem os contribuintes com salários ou reformas inferiores a mil euros. Mas também sei que o país só tem a perder com uma crise política, e é o país que me interessa, por isso é este PEC que temos, será este que temos que cumprir até 2013, a não ser que a Comissão Europeia faça connosco o que fez com a Grécia que teve que elaborar três documentos até ser aceite.

Assim, hoje será um dia como os outros, a não ser que o Primeiro-Ministro, na eventual falta de apoio de outros Partidos, apresente a sua demissão e o Presidente da República a aceite.

terça-feira, 23 de março de 2010

Essa foi forte !

No debate que se está a realizar no Parlamento Europeu sobre a adequação do perfil de Vítor Constâncio para o cargo de Vice-Presidente do Banco Central Europeu (BCE), uma eurodeputada do Luxemburgo disse que nomear Vítor Constâncio para o cargo é o mesmo que dar dinamite a um pirómano e que os seus compatriotas deviam ficar muito satisfeitos se ele saísse do Banco de Portugal.
Para quem ainda acha que o que se passa por cá não tem qualquer repercussão externa, aqui fica uma pequena amostra.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dia Mundial dos Consumidores

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Neste dia mundial dos consumidores, que é especificamente dedicado aos serviços financeiros, não vou falar de taxas, comissões e muito menos dos próprios serviços financeiros prestados pelos Bancos, porque não são novidade para ninguém.
Resolvi, por isso, utilizar um soneto que Natália Correia escreveu para a Revista do Cooperativismo e da Defesa do Consumidor, Come & Cala, em Dezembro de 1981, e que, pelo menos, não será tão conhecido.

Comsumatum Est

No caso consumado do consumo
em que o marchante de toda a tralha acampa,
do apetite bem espremido o sumo
o consumido também consome a campa.

Vais do teu tempo à morte, homem sem humo,
oco e lançado, mas não pela tua rampa.
Ditam-te o pasto; és rês e deitas fumo.
És só pressão; e não te salta a tampa.

E, no último anel desta espiral,
com recibos por coluna vertebral,
do gesto aquisitivo, a estrénua caça

remexendo em ruínas e concheiros,
de humanos dias, só acha, verdadeiros,
restos de um anjo com dentadura falsa.

(de Poesia Completa, D. Quixote, 1999)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Reunião dos Ministros das Finanças da U.E. sobre situação da Grécia

Os Ministros das Finanças da União Europeia reúnem-se hoje e amanhã em Bruxelas para avaliarem a situação da Grécia, cujo défice começa já a pesar no valor do euro.
Segundo uma sondagem recente, mais de 50% dos gregos estão conscientes da necessidade de uma cura de austeridade e de que os seus governos demoraram muito tempo a tomar as medidas necessárias. Dizem que estão prontos para os sacrifícios que lhes forem pedidos, excepto num ponto: opõem-se a que a idade da reforma passe dos 61 para os 63 anos (em muitos países da União a idade da reforma é aos 65 anos e há quem esteja a ponderar fixá-la nos 67, não só para controlo das despesas mas, também, devido ao aumento médio da esperança de vida).
Assim sendo, não me parece que os gregos estejam, de facto, conscientes, como diz a sondagem, da necessidade de austeridade, ou então disseram o oposto do que na realidade pensam.
Pela primeira vez, a União Europeia vai fazer um controlo apertado, de dois em dois ou de três em três meses, à aplicação do plano grego de redução do défice e das despesas.
De momento não vão ser anunciadas medidas de apoio directo à Grécia, por duas razões: para não levar os especuladores a aproveitá-las em benefício próprio e para que o governo grego não creia que pode abrandar os seus esforços no controlo das despesas do Estado face às manifestações de descontentamento que quase todos os dias saem à rua, bem como às greves gerais ou parciais que também já se verificaram e que, tudo leva a crer, não irão parar.

(Na foto: Georges Papaconstantinou, Ministro grego das Finanças)

Fonte: RFI

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

9,3% de défice em 2009, quem diria!

Não sei se alguém ficou admirado com os 9,3% de défice verificado nas contas do Orçamento do Estado em 2009. Bagão Félix andou a fazer demonstrações da sua análise durante semanas e chegava sempre à conclusão de que o défice de 2009 nunca poderia ser inferior a 9%, e não é.
O que é realmente notável é que se preveja um défice de 8,3% para 2010 sem se apresentar uma medida verdadeiramente drástica de corte nas despesas, pelo menos nas despesas de funcionamento do Estado! Se nos últimos anos o crescimento médio no país não ultrapassou o valor de 1% ao ano, e que nem isso se prevê para 2010, então continuamos na mesma, à espera de milagres.
Esperemos pelo Verão para vermos se não seremos brindados com aumento de impostos, o caminho mais fácil.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O que diz Maquiavel (II)

Em vésperas do debate do Orçamento Geral do Estado, recorro de novo a um texto de O Príncipe de Maquiavel, o capítulo XVI, para reflexão, e que poderá fornecer pistas de como chegámos à situação actual do país e, por que não, também das famílias e dos cidadãos endividados.


Da liberalidade e da parcimónia
(De liberalitate et parcimonia)
«Para começar pelas qualidades que referi primeiro, digo que conviria ser tido por liberal. Contudo, ser liberal na medida necessária para disso ter fama é prejudicar-se a si mesmo, porque sendo-o com medida e como deve ser, não se será conhecido por tal nem se evitará a má fama do contrário. Assim, para conquistar entre os homens o nome de liberal, não se pode esquecer nenhuma espécie de magnificência, de tal sorte que um príncipe desta natureza consumirá em coisas semelhantes todos os seus bens e, no fim, se quiser conservar a fama de liberal, ver-se-á obrigado a sobrecarregar extraordinariamente o seu povo, a oprimi-lo com impostos, a fazer tudo quanto é possível para reunir dinheiro. Desse modo, começará a ser odiado pelos súbditos e a merecer pouca estima de todos, pois que empobrecerá. Como, com a sua liberalidade, molestou muitos e deu a poucos, tornar-se-á sensível à primeira desordem e tropeçará no primeiro obstáculo, e, se vir todo esse mal e quiser arrepiar caminho, ver-se-á, acto contínuo, apodado de somítico.
Portanto, não podendo usar da virtude da liberalidade em dose suficiente para que seja reconhecida sem o prejudicar, um príncipe prudente não se deve preocupar se lhe chamarem somítico, pois com o tempo será gradualmente considerado liberal, quando virem que, graças à sua economia, os seus rendimentos lhe chegam, se pode defender de quem o atacar e empreender cometimentos sem sobrecarregar o povo. Assim, usará de liberalidade para todos aqueles a quem não tira nada, e que são em número infinito, e de sovinice para com todos aqueles a quem nada dá, que são poucos. No nosso tempo, só vimos fazer grandes coisas aos que eram considerados somíticos; os outros foram vencidos. O papa Júlio II, depois de se servir da fama de liberal para conseguir o pontificado, não se preocupou muito em a conservar, a fim de ter meios para financiar a guerra. O actual rei de França sustentou várias guerras sem impostos extraordinários, pois pode cobrir as despesas supérfluas com as economias que fazia há muito. O actual rei de Espanha, se fosse considerado liberal, não se teria podido lançar em tantas aventuras nem coroá-las de êxito.
Logo, para não se ver na contingência de pilhar os seus súbditos, para ter meios de defesa para não se tornar pobre e mesquinho e para não se ver obrigado a roubar e a forçar, um príncipe deve importar-se pouco que lhe chamem somítico, pois esse é um dos vícios que lhe permitem reinar. E se alguém me disser que, mercê da sua liberalidade, Júlio César chegou a imperador e que vários outros, por terem sido liberais, de facto e na opinião alheia, conquistaram lugares muito elevados, responderei: ou és um príncipe já feito, ou vais a caminho de o ser. No primeiro caso, a liberalidade não vale nada; no segundo, é necessário seres considerado liberal. Ora, César foi um daqueles que queriam ascender ao principado de Roma. Mas se, depois de o conseguir, tivesse sobrevivido e não pusesse cobro às grandes despesas, teria destruído o império. Se me replicarem que muitos príncipes considerados liberais fizeram grandes coisas no capítulo da guerra, responderei que o príncipe gasta os seus bens e os dos seus súbditos, ou os doutrem. No primeiro caso, deve ser parcimonioso; no segundo, não deve esquecer nenhuma magnificência. Assim, um príncipe que comanda um exército e vive de pilhagens, de saques de cidades, de resgates e dos bens alheios, precisa muito de ser liberal, pois de contrário os soldados não o seguirão. Podes ser o mais generoso possível com aquilo que não te pertence nem aos teus súbditos, como fizeram Ciro, César e Alexandre, pois despender os bens alheios, além de não te tirar a boa fama, ainda ta acrescenta. Só despender o que é teu te prejudica, tanto mais que não há no mundo coisa que se consuma a si própria como a liberalidade: enquanto usas dela, perdes a possibilidade de a usar e tornas-te ou pobre e mesquinho ou, para escapar à pobreza, ganancioso e odiado. Ora, entre todas as coisas, um príncipe deve evitar, sobretudo, ser odiado e mesquinho, e a liberalidade conduz às duas condições. Portanto, é mais prudente suportar o apodo de somítico, que engendra má fama sem ódio, do que, por querer reputação de liberal, incorrer forçosamente na de ganancioso, que engendra má fama com ódio.»

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vencer os desafios, tema do programa Prós e Contras

Como não tive possibilidade de ver todo o programa Prós e Contras de ontem na RTP, mas o que vi da última parte, designadamente as intervenções de José Tribolet, levaram-me a ver os vídeos respectivos que se encontram AQUI.
É certo que o meu desinteresse pelo programa vinha do período anterior às férias de Natal e Ano Novo, talvez porque alguns debates não conduziam a nada de prático e exequível e rapidamente se transformavam numa "cacofonia" sem respeito pelos telespectadores, contrariamente ao de ontem, que foi excelente nas intervenções e nas propostas e em civilidade.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sarkozy - quando as palavras e os actos não coincidem no combate às emissões de CO2

A taxa carbono, medida emblemática do governo do presidente francês Nicolas Sarkozy, para lutar contra o aquecimento climático, e que defendeu contra a sua própria maioria, considerando "esta revolução fiscal" (depois do fracasso de Copenhaga) como um exemplo para todo o mundo, foi anulada ontem pelo Conselho Constitucional, pelo que já não entrará em vigor no próximo dia 1 de Janeiro.
Segundo o Conselho Constitucional, o diploma da taxa carbono, tal como está, abrangeria menos de metade das emissões de gás com efeito de estufa, estimando que 93% das emissões de origem industrial não seriam taxadas, o que constituiria uma grave desigualdade face ao imposto, ou seja, uma falha no princípio de igualdade.
A taxa carbono de Sarkozy, de facto, iria aplicar-se sobre o consumo de petróleo, gás e carbono, à razão de € 17.00 por tonelada de CO2, taxa aplicável tanto a empresas como a particulares, para os encorajar a economizar energia, mas excluía as centrais térmicas, mesmo as que funcionam a carvão e que emitem bastante CO2, as refinarias, as cimenteiras, os transportes aéreos, etc., e foi nas excepções que o Conselho Constitucional detectou a falha no princípio de igualdade e que o levou a anular o diploma.
Segundo as associações de defesa do ambiente, este desfecho era previsível porque continha demasiadas isenções, o que atentava contra o princípio de igualdade perante o imposto e, por outro lado, defendem que o consumo de electricidade também deve ser integrado no diploma, o que o governo recusou por as centrais nucleares não emitirem CO2.
Como a decisão do Conselho Constitucional obriga a que o governo francês apresente com urgência um diploma de substituição, estou com curiosidade em saber o conteúdo do novo projecto de lei que deverá ser apresentado em conselho de ministros a 20 de Janeiro, porque, a continuar a legislar-se assim, mais vale elaborarem-se diplomas para as exclusões, excepções e isenções e a aplicação da regra fazer-se por defeito. 93% das emissões de origem industrial não seriam taxadas? E é assim que o Sr. Sarkozy quer dar o exemplo ao resto do mundo?

Fonte: RFI