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terça-feira, 24 de novembro de 2009

HUMANIDADE, Despertar para a Cidadania Global Solidária - lançamento a 3 de Dezembro

Este livro do Dr. Fernando Nobre, HUMANIDADE, Despertar para a Cidadania Global Solidária, da Temas e Debates, Círculo de Leitores, vai ser apresentado na Sala Algarve da Sociedade de Geografia de Lisboa, no dia 3 de Dezembro, às 18.30h, pela Dr.ª Teresa Patrício Gouveia.
Quem quiser saber também pormenores sobre a comemoração dos 25 anos da AMI-Assistência Médica Internacional, que se realizará na Aula Magna da Universidade de Lisboa, pode consultar os blogues Contra a Indiferença e AMI.

domingo, 8 de novembro de 2009

Como está "o caso mental português", hoje?

«Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria "provincianismo". Como todas as definições simples esta, que é muito simples, precisa, depois de feita, de uma explicação complexa.
Darei essa explicação em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto é, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer país, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental - a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreensão, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás, que sejam sempre erradas. Por natureza, forma o povo um bloco, onde não há mentalmente indivíduos; e o pensamento é individual.
O que caracteriza a segunda camada que não é a burguesia, é a capacidade de reflectir, porém, sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher - por ideias e não por instinto - entre duas ideias ou doutrinas que lhe apresentem; não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. Quando, aqui e ali, neste ou naquele, fica uma opinião média entre duas doutrinas, isso não representa um cuidado crítico, mas uma hesitação mental.
O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias. Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais. O indivíduo do escol pode, por exemplo, aceitar inteiramente uma doutrina alheia; aceita-a, porém, criticamente, e, quando a defende, defende-a com argumentos seus - os que o levaram a aceitá-la - e não, como fará o mental da classe média, com os argumentos originais dos criadores ou expositores dessas doutrinas.
Esta divisão em camadas mentais, embora coincida em parte com a divisão em camadas sociais - económicas ou outras -, não se ajusta exactamente a essa. Muita gente das aristocracias de história e de dinheiro pertence mentalmente ao povo. Bastantes operários, sobretudo das cidades, pertencem à classe média mental. Um homem de génio ou de talento, ainda que nascido de camponeses, pertence de nascença ao escol.
Quando, portanto, digo que a palavra "provincianismo" define, sem outra que a condicione, o estado mental presente do povo português, digo que essa palavra "provincianismo" define a mentalidade do povo português em todas as três camadas que a compõem. Como, porém, a primeira e a segunda camadas mentais não podem por natureza ser superiores ao escol, basta que eu prove o provincianismo do nosso escol presente, para que fique provado o provincianismo mental da generalidade da nação.» (...)
Fernando Pessoa, «O caso mental português» (1932), in O Rosto e as Máscaras, Antologia organizada por David Mourão-Ferreira, Ática, Lisboa, 1979, pp 170-172

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Jorge de Sena - 90.º aniversário (1919-1978)


Madrugada

Há que deixar no mundo as ervas e a tristeza,
e ao lume de águas o rancor da vida.
Levar connosco mortos o desejo
e o senso de existir que penetrando
além dos lobos sob as águas fundas
hão-de ser verdes como a velha esperança
nos prados de amargura já floridos.

Deixar no mundo as árvores erguidas,
e da tremente carne as vãs cavernas
aos outros destinados e às montanhas
que a neve cobrirá de álgida ausência.
Levar connosco em ossos que resistam
não sabemos o quê de paz tranquila.

E ao lume de águas o rancor da vida.
(4/9/1972)
Obras de Jorge de Sena, Poesia-III, pp. 207/8, Edições 70, 1989

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blog Action Day 2009 - Climate Change

O dia 15 de Outubro foi escolhido, a nível mundial, como o dia em que os autores de blogues são desafiados pela organização Blog Action Day a abordarem o problema das alterações climáticas que já se fazem notar no nosso Planeta, e para as quais têm contribuído as mais diversas actividades humanas, como os excessos no abate de árvores nas florestas tropicais, reduzindo assim a nossa fonte de oxigénio, bem como o problema da emissão de gases poluentes para a atmosfera, entre outras.
No próximo mês de Dezembro, este assunto será debatido em Copenhaga, numa cimeira internacional, e é bom que saibam que todos os bloguistas estarão atentos ao que lá se vai passar e às resoluções que venham a ser tomadas no sentido de se retroceder no processo de degradação do meio-ambiente que tem tido como consequência a alteração do clima.
Para nos lembrarmos do tempo em que havia estações do ano definidas, aqui fica um poema de Alberto Caeiro (F.Pessoa):
Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno -
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar -
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma totalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito com os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o Mundo.

De «POEMAS INCONJUNTOS», Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, 1917

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fernando Pessoa - citação

«O governo do mundo começa em nós mesmos. Não são os sinceros que governam o mundo, mas também não são os insinceros. São os que fabricam em si uma sinceridade real por meios artificiais e automáticos; essa sinceridade constitui a sua força, e é ela que irradia para a sinceridade menos falsa dos outros. Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do estadista. Só aos poetas e aos filósofos compete a visão prática do mundo, porque só a esses é dado não ter ilusões. Ver claro é não agir.»
in Livro do Desassossego (275), Fernando Pessoa/Bernardo Soares

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A velocidade como abstracção

«Para sentir a delícia e o terror da velocidade não preciso de automóveis velozes nem de comboios expressos. Basta-me um carro eléctrico e a espantosa faculdade de abstracção que tenho e cultivo.
Num carro eléctrico em marcha, eu sei, por uma atitude constante e instantânea de análise, separar a ideia de carro da ideia de velocidade, separá-las de todo, até serem coisas-reais diversas. Depois, posso sentir-me seguindo não dentro do carro mas dentro da Mera-Velocidade dele. E, cansado, se acaso quero o delírio da velocidade enorme, posso transportar a ideia para o Puro Imitar da Velocidade e a meu bom prazer aumentá-la ou diminuí-la, alargá-la para além de todas as velocidades possíveis de veículos comboios.
Correr riscos reais, além de me apavorar, não é por medo que eu sinta excessivamente - perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações, o que me incomoda e me despersonaliza.
Nunca vou para onde há risco. Tenho medo a tédio dos perigos.
Um poente é um fenómeno intelectual.»
Fernando Pessoa/Bernardo Soares, Livro do Desassossego (75)
Nota: Na eventualidade de não se concretizar o projecto do Comboio de Alta Velocidade, podemos sempre fazer este exercício como Fernando Pessoa.

sábado, 19 de setembro de 2009

Rogério Santos - citação (jornalistas e fontes)

«Jornalistas e fontes de informação têm interesses específicos. A fonte noticiosa, através de informação, contra-informação, lóbis e fugas de informação, pretende "conduzir" o jornalista a um objectivo definido - publicitar as suas realizações. Os jornalistas, que investigam, seleccionam e produzem informação têm critérios pessoais e sociais, com rotinas de trabalho e normas profissionais que os regem, para validar ou não a publicitação dos acontecimentos organizados pelas fontes de informação.» (...)
«As fontes de menores recursos apostam na intriga, desvendam as rivalidades de organizações maiores e adequam-se às necessidades dos jornalistas (rapidez nas respostas, enquadramentos noticiosos). Com frequência, as fontes rivais saem do interior de organizações e, através de fugas de informação ou balões de ensaio, boicotam os projectos das organizações a que pertencem. Graças a redes de contactos informais com jornalistas, há uma significativa porosidade nas estruturas das organizações, o que as vulnerabiliza. Uma multiplicidade de interesses - que, no extremo, leva a que qualquer pessoa possa ser fonte de informação - serve os objectivos dos jornalistas, que procuram novas notícias sem cessar.» (...)
«Muitas delas, que trabalham e fornecem informação empacotada, destinada a consumo jornalístico, mostram uma componente proactiva indispensável para a sua colocação nas notícias. A estratégia seguida pela fonte é fazer chegar aos jornalistas informação julgada útil para a sua organização. Apesar de as regras habituais indicarem que as fontes devem prestar informação correcta, muitas vezes trabalham com dados falsos, produzem fugas de informação e lançam "balões de ensaio", na tentativa de antecipar resultados ou previsões e estudar reacções de adversários ou de um grupo social completo.» (...)
«O jornalista aceita melhor as fontes oficiais, categoria fundamental nas notícias. Estas nem sempre dão a resposta pretendida, de imediato. Primeiro, porque há que ponderar a altura certa para divulgar a resposta. Segundo, porque não se tem a certeza total da eficácia da informação e se espera que outros agentes se pronunciem sobre o assunto. Terceiro, porque à fonte oficial nem todos os jornalistas ou meios noticiosos interessam. A escolha destes é feita com critério, tendo em conta o prestígio do jornalista ou do jornal.
À fonte oficial interessa que corra tudo bem; por isso, preocupa-se com a escolha do meio noticioso e do jornalista, fornece a informação de acordo com os seus objectivos, faz um acompanhamento da acção, está atenta ao que se passa em volta. Com frequência, os jornalistas operam mais no domínio da obtenção de declarações e opiniões de fontes poderosas e interessadas na sua divulgação e menos na busca de factos novos e correlação com outros factos (Wemans, 1999:66). Outras vezes, ficam-se pelas expressões "tentámos apurar sem êxito", "a fonte não quis revelar", "a fonte preferiu não adiantar", o que encobre dificuldades dos jornalistas em obter a informação necessária» (...)
«Por seu lado, as fontes não oficiais (associações, empresas de menor dimensão, grupos cívicos, organizações não-governamentais) lutam pela divulgação dos seus acontecimentos.»(...)
«As empresas poderosas têm maior capacidade de controlar os seus contactos com o exterior, ao criarem barreiras formais e informais que inibem qualquer representante de falar abertamente dos problemas internos da organização. Além disso, as organizações de estruturas mais frágeis - como sindicatos, associações ambientais, de saúde ou de apoio social -, de estruturas abertas e com níveis hierárquicos fracos revelam mais facilmente as dissensões e os problemas internos.»
in A fonte não quis revelar, pp. 32, 35/6, 75, 77/8/9

domingo, 6 de setembro de 2009

Como se produz uma notícia?


A ler: Como se produz uma notícia?, no blogue ComLivros-Teresa, de Teresa Sá Couto, tendo como pano de fundo o livro "A fonte não quis revelar" de Rogério Santos, docente de Comunicação na Universidade Católica Portuguesa, cuja oportunidade é incontestável.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Do livro e da leitura

Vale a pena ler o texto publicado agora no blogue de António Barreto, Jacarandá, com o título Do livro e da leitura e que corresponde a uma intervenção que fez no 1.º Congresso dos Editores Portugueses em Abril de 2001. Antes ou depois, convém ler o texto de Helena Damião publicado a 16 de Agosto no blogue De Rerum Natura, com o título "Os livros são feitos para serem vendidos", onde se aborda a questão da destruição de livros por algumas editoras. As conclusões tira-as cada um.

domingo, 15 de março de 2009

Helena Cordeiro - lançamento do livro O Papel Principal


Na próxima terça-feira, dia 17 de Março, às 18,30 h, Helena Cordeiro lança o livro "O Papel Principal: Um estudo de caso - As capas da Elle de Edição Portuguesa", no Edifício da Reitoria da Universidade Católica Portuguesa, piso 1.
Sobre a obra:
«Há muito enclausuradas entre os preconceitos da dita intelectualidade e o desinteresse académico, as revistas femininas seguem o seu caminho, aparentemente imunes às críticas.
Nesta obra, Helena Cordeiro procura não só entender a correlação existente entre as implicações disciplinares deste tipo de imprensa de género e a sua representação globalizada da mulher e do feminino, mas também a razão para o aparente nó cego criado pelo prazer retirado da sua leitura e a simultânea vergonha por lê-las.
O que as capas das revistas femininas internacionais ou Glossies oferecem, tanto em termos imagéticos como textuais (expressos nas chamadas de capa), por forma a apelar à sua leitura, bem como a forma como são vistas e lidas por uma amostra seleccionada de leitoras portuguesas, são os pontos principais desta análise que persegue a necessidade de compreender o proper locus de ócio da mulher moderna e a sua óbvia ligação ao prazer.
Com o prefácio do Professor Doutor Rogério Santos, «O Papel Principal» é uma obra de consulta obrigatória para quem pretenda estudar o papel das revistas femininas num contexto editorial português.»
Sobre a autora:
Helena Cordeiro é licenciada em Relações Internacionais pelo ISCSP de Lisboa e Mestre em Ciências da Comunicação e Indústrias Culturais pela Faculdade de Ciências Humanas da UCP.
Actualmente trabalha na Assessoria Política e nas Relações Públicas de uma Missão Diplomática em Portugal.