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sábado, 14 de janeiro de 2012

Nietzsche: "Ser independente..."

«Ser independente é uma questão que diz respeito a uma muito pequena minoria, é um privilégio dos fortes. Quem a tanto se abalançar, mas sem ser obrigado, prova desse modo que provavelmente não só é forte, mas também audacioso até à temeridade. Mete-se num labirinto, multiplica ao infinito os perigos inerentes à própria vida. E o menor desses perigos não está em que ninguém veja como e onde se perde, despedaçado na solidão por qualquer subterrâneo minotauro da consciência. Supondo que um tal homem pereça, o facto estará tão distante do entendimento dos homens que eles não o sentem, nem o compreendem. E ele já não pode regressar! Não pode sequer regressar à compaixão dos homens! (...) quero dizer, na medida em que somos os amigos inatos, jurados e ciumentos da solidão, da nossa própria solidão mais profunda de meio-dia e meia-noite: eis a espécie de homens que somos nós, espíritos livres! E talvez o sejais, também vós, que vireis, vós novos filósofos?»

Nota: publico estes excertos por compaixão, no sentido próprio da palavra, para com outro amigo da blogosfera, depois de ler um texto seu.

F. Nietzsche, Para Além do Bem e do Mal, Guimarães Editores, 1978, pp. 41 e 56

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

António José Seguro, felizmente, não perdeu a lucidez

Acabei de ouvir na Antena 1 o deputado socialista António José Seguro, em declarações que já tinha feito ontem à noite à Agência Lusa, e em que considera «inaceitável» que, em tempo de crise, os sacrifícios não sejam feitos pelos que mais têm.
«Acho inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos portugueses não sejam todos os portugueses, em particular aqueles que mais têm, a dar esse exemplo e a fazerem esses sacrifícios».
Para o deputado do PS, que é também presidente da comissão de assuntos económicos na Assembleia da República, os portugueses «estão fartos de fazerem sacrifícios sem verem resultados e é preciso que os sacrifícios estejam ligados aos resultados».
O combate à crise é, na sua opinião, uma tarefa geral «mas, em primeiro lugar, de todos aqueles que têm responsabilidades na direcção do país, das regiões e das autarquias»
É muito bom saber que António José Seguro pensa pela sua própria cabeça, não pertencendo àquele grupo de pessoas que caracterizo de "rebanho", que, por não terem pensamento próprio nem capacidade de análise crítica, se limitam a seguir a corrente.
(sublinhados meus)
Áudio e texto  AQUI

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A. Schopenhauer - 222.º aniversário de nascimento


Para assinalar o dia 22 de Fevereiro de 1788, deixo apenas alguns excertos do livro Dialéctica Erística, de Arthur Schopenhauer, Editora Campo das Letras, e, como sempre, as minhas escolhas para reflexão não são inocentes.


«"Dizemos que é correcto o que parece ser para a maioria" (Aristóteles, Ética a Nicómaco, X, 2, 117 2b 36). Efectivamente não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, de que os homens não aceitem como própria se, na hora de os convencer, se argumentar que ela é universalmente aceite. O exemplo é de igual modo eficaz nos seus pensamentos e nos seus actos. São como ovelhas que seguem o carneiro aonde quer que ele vá: é-lhes mais fácil morrer do que pensar.» (p. 75)


«Resumindo: muito poucos são capazes de pensar; no entanto, todos querem ter opiniões; e, assim sendo, não será mais fácil ficar com as dos outros do que criá-las eles próprios? Perante estes factos, que valor poderá ter agora a verdade de cem milhões de pessoas?» (p.76)


«Intellectus luminis sicci non est recipit infusionem a voluntate et affectibus (o intelecto não é uma luz que arda sem azeite, precisa de ser alimentado pela vontade e pelas paixões - Bacon, Novum Organon I, 49).» (p.82)