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domingo, 11 de outubro de 2009

Autárquicas manchadas de sangue

Não sei o que é mais perturbador, se o assassinato hoje do marido da Presidente da Junta de Freguesia de Ermelo, Distrito de Vila Real, Glória Nunes, numa assembleia de voto de Fervença, se o facto de eu não me admirar que coisas destas aconteçam.
Se parece haver uma ideia generalizada de uma certa aversão à "classe política" a nível nacional, essa ideia aparece difusa, sem um rosto-alvo, ou porque quem está no poder não pode agir de outro modo por razões conjunturais, ou porque tem directivas da União Europeia a cumprir.
A nível local, os ódios são diferentes, são concretos, têm rosto, são ódios de pessoa a pessoa, pessoas que se conhecem melhor umas às outras e, por isso mesmo, as melhores ideias políticas para a localidade não são importantes mas sim as empatias ou os ódios pessoais.
A nível ainda mais micro, que é a gestão de um condomínio, já tive a experiência de me pedirem para aceitar a administração em anos em que não me competia (cabia-me de 10 em 10 anos), ou porque havia obras a fazer que implicavam quotas extraordinárias, ou porque havia assuntos delicados a tratar, designadamente em Tribunal, e, segundo os outros condóminos, eu era a única pessoa com experiência do cargo que não tinha relações cortadas com ninguém. Então, nesses anos, passei horas em reuniões com uns e outros, em mediação contínua de conflitos pessoais, e tive oportunidade de ver nos olhos e nas palavras de uns e outros esse tal ódio que se encontra em pessoas mesquinhas, e que é totalmente incompreensível. Também aí, e face ao exposto, só faltou que alguém tivesse perdido a cabeça como hoje aconteceu ao candidato António Cunha. Depois da minha tarefa concluída, houve ainda um que me disse: "depois do trabalho que a senhora fez, todos os que vierem a seguir na gestão do condomínio vão parecer incompetentes". Dadas as circunstâncias, nem vi nisto um elogio, e quanto aos que viessem a seguir seriam sempre incompetentes ao nível das relações humanas civilizadas.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A crise no quotidiano

Para contrabalançar a dor de alma que são as entrevistas que alguns jornalistas fazem a quem está sem emprego ou na iminência de ficar sem ele, ou sem casa, ou sem comida, ou tudo junto, deixando-nos com a sensação de que o país inteiro está desempregado, sem-abrigo, esfomeado, na miséria total, exponho uma experiência pessoal vivida há dois dias (um dia de semana, portanto), à hora de almoço, num supermercado próximo:
Parque de estacionamento cheio, supermercado cheio, com quase todas as caixas a funcionar, filas de pessoas à espera de vaga para se sentarem a uma mesa no restaurante que o supermercado possui, filas nas secções do talho, do peixe e na de comida confeccionada para levar para casa, a secção de cafés, dos bolos e dos pãezinhos com algo dentro, bem composta, a fisionomia das pessoas descontraída.
Não havendo departamentos públicos nos arredores deste estabelecimento, e, como sabemos, só os funcionários públicos tiveram aumentos substanciais nos ordenados este ano e têm emprego garantido, podemos concluir que a maioria daquelas pessoas trabalha nas micro, pequenas, médias e grandes empresas privadas que, dessas sim, há muitas naquele local. E ainda bem!