«Belo é o risco e grande a esperança» Sócrates, o filósofo«Quem pensa em grande, deve errar em grande» Heidegger
«O que este teorema nos diz é que existem evidentemente mais hipóteses de nos enganarmos quando nos arriscamos do que quando nos limitamos a seguir o curso dos acontecimentos, quando o nosso pensamento é um pensamento que assume riscos do que quando se trata de um pensamento que os evita ou os esconjura, quando jogamos uma alta parada do que quando não jogamos, quando nos expomos do que quando nos resguardamos, quando apostamos numa esperança do que quando nos contentamos em fazer render as aquisições de uma experiência e de um saber - numa palavra, temos mais hipóteses de nos enganarmos quando pensamos, do que quando não pensamos».
«É verdade que existem verdades vivas e verdades mortas e que a melhor maneira de fazer morrer a verdade é reescrever o texto para nele apagar a parte de indagação. É verdade que a ideia de uma verdade sem erro não faz mais sentido que a de um corpo sem anticorpos, de um mesmo sem o outro, de uma troca sem alteridade ou de uma luz sem a sua sombra. (...) A verdade nunca é prova ou indicação dela própria; a sua amplitude mede-se na quantidade de erros por que teve de passar, combater, ultrapassar e, no final de tudo, pelos erros que teve de conservar; uma verdade que tenha economizado não só esta travessia, como esta conservação, uma verdade que não se tenha transformado em museu dos seus próprios erros e negatividades, numa palavra, uma verdade que só brilhasse pela sua positividade de verdade soberana e advinda, essa verdade seria uma verdade vulnerável, sem defesas, no sentido em que se fala de um corpo que perdeu as suas imunidades e que seria, portanto, infectado ao menor ataque - seria uma verdade frágil, enfezada, literalmente débil e, sobretudo, desarmada face ao contra-ataque, sempre possível, do erro.»
Transcrevi estes excertos do livro O Século de Sartre, de Bernard-Henri Lévy, pp 517, 526, 529/30, porque andava a precisar de esclarecimento sobre a verdade na "política da verdade" a que se refere Manuela Ferreira Leite, bem como sobre a verdade que saltita de boca em boca de outros políticos. Vou continuar a minha indagação.