
Aplaudo e subscrevo as considerações no Jansenista: Twitter - o morse da morsa.


«Para nós, as partes genitais são já há longas gerações as pudenda, objectos de vergonha e, em caso de maior recalcamento sexual, mesmo de repugnância. Lancemos um olhar de conjunto à vida sexual do nosso tempo, em particular à das camadas sociais que são portadoras da civilização humana, e seremos tentados a dizer: é apenas a contragosto que os seres humanos de hoje, na sua maioria, se submetem às exigências da procriação e, ao fazê-lo, sentem-se ofendidos e rebaixados na sua dignidade humana. O que subsiste entre nós da outra concepção da vida sexual refugiou-se nas camadas populares baixas, que se mantiveram rudes, e dissimula-se nas camadas mais elevadas e requintadas, como culturalmente inferior, e não se manifesta por actos senão à custa das amargas censuras da má consciência. Tudo isto era bem diferente nos tempos primitivos do género humano. Dos dados trabalhosamente recolhidos pelos especialistas das civilizações podemos retirar a convicção de que as partes genitais eram originalmente o orgulho e a esperança dos seres humanos, eram objecto de veneração divina e transferiam a divindade das suas funções a todas as novas actividades a que o homem se dedicava. Da sua essência surgiram, por sublimação, inúmeras figuras de deuses e, na época em que a relação entre as religiões oficiais e a actividade sexual estava já oculta à consciência colectiva, certos cultos secretos esforçaram-se por mantê-lo vivo junto de um certo número de iniciados. Finalmente aconteceu que, no decurso do desenvolvimento da civilização, tantos elementos divinos e sagrados foram extraídos da sexualidade que o remanescente desta se tornou objecto de desprezo. Mas em virtude da indestrutibilidade inerente a todos os vestígios psíquicos, não devemos admirar-nos de que mesmo as formas mais primitivas de adoração dos órgãos genitais tenham persistido até épocas bem recentes e que linguagem, costumes e superstições da humanidade de hoje contenham sobrevivências de todas as fases deste processo de desenvolvimento.»
Luísa Amaro vai apresentar ao público no próximo sábado em Lisboa, no Museu do Oriente, o seu último trabalho; um disco surpreendente onde a sua guitarra portuguesa é acompanhada por um piano, tocado por Mário Laginha, um saxofone e um guitolão (este inventado por Carlos Paredes). O resultado é de uma beleza e de uma qualidade muito raras. O CD "Meditherranios".
"A vaidade é uma qualidade muito disseminada e talvez ninguém esteja livre dela. Nos círculos académicos e científicos é uma espécie de doença profissional. Mas precisamente no homem de ciência, por muito antipáticas que sejam as suas manifestações, a vaidade é relativamente inócua dado que, em geral, não estorva o trabalho científico. No político, que utiliza inevitavelmente como arma o desejo do poder, os seus resultados são muito diferentes. O instinto de poder, como se lhe costuma chamar, está assim, de facto, entre as suas qualidades normais. O pecado contra o Espírito Santo da sua profissão começa no momento em que este desejo de poder deixa de ser positivo, deixa de estar exclusivamente ao serviço da causa para se converter em pura embriaguez pessoal. Em última análise, só existem dois pecados mortais no terreno da política: a ausência de finalidades objectivas e a falta de responsabilidades. Esta coincide frequentemente, embora não sempre, com aquela. A vaidade, a necessidade de aparecer em primeiro plano sempre que possível, é o que mais leva o político a cometer um destes pecados ou os dois ao mesmo tempo. E tanto mais quanto é certo que o demagogo é obrigado a ter em conta o efeito; por isso se encontra sempre em perigo de se converter num comediante ou de não dar a devida atenção à responsabilidade que lhe incumbe pelas consequências dos seus actos, preocupando-se apenas com a impressão que provoca. A sua ausência de finalidade objectiva torna-o propenso a procurar a aparência brilhante do poder em vez do poder real; a sua falta de responsabilidade leva-o a gozar o poder pelo poder, sem tomar em conta a sua finalidade. Embora o poder seja o meio iniludível da política, ou mais exactamente, precisamente porque o é, e o desejo de poder seja uma das forças que a impulsionam, não há mais perniciosa deformação da força política que malbaratar o poder como um adventício ou comprazer-se vaidosamente no sentimento do poder, ou seja, em geral, toda a adoração do poder puro enquanto tal".
Dada a diversidade crescente das populações dos Estados Unidos, os riscos de sectarismo são maiores do que nunca. O que quer que nós já tenhamos sido, nós já não somos uma nação cristã. Pelo menos não somente cristã. Nós somos também uma nação judaica, uma nação muçulmana, uma nação budista, uma nação hindu e uma nação de não-crentes. E mesmo que tivéssemos apenas cristãos entre nós, se expulsássemos todos os não-cristãos dos E.U.A., qual o cristianismo que ensinaríamos nas escolas? Seria o de James Dobson ou o de Al Sharpton? Que passagens das Escrituras deveriam instruir as nossas políticas públicas? Deveríamos escolher o Levítico, que sugere que a escravidão é aceitável? E que comer frutos do mar é uma abominação? Ou poderíamos escolher o Deuterónimo que sugere que se apadreje o seu filho se ele se desviar da fé? Ou deveríamos apenas ficar com o Sermão da Montanha? Uma passagem que é tão radical que é de se duvidar que o nosso próprio Departamento de Defesa sobreviveria à sua aplicação. Então, antes de nos empolgarmos, vamos ler as nossas Bíblias agora. As pessoas não têm lido a Bíblia. O que me leva ao 2.º ponto: que a democracia exige que os motivados por uma religião traduzam as suas preocupações em valores universais, ao invés de específicos de uma dada religião. O que é que eu quero dizer com isto? Ela (a democracia) requer que as propostas delas (das religiões) sejam sujeitas a discussão e que passem pelo crivo da razão. Eu posso ser contrário ao aborto por razões religiosas, por exemplo, mas se eu pretendo aprovar uma lei proibindo a prática do aborto, eu não posso recorrer, simplesmente, aos ensinamentos da minha igreja ou invocar a vontade divina; eu tenho que explicar que o aborto viola algum princípio que é acessível a pessoas de todas as fés, incluindo aqueles sem fé alguma.
Na mesma altura em que as Nações Unidas realizaram o Forum do Milénio, Cristovam Buarque, M.N.E. do Brasil, estava numa conferência organizada por uma Universidade dos EUA, e, questionado por um jovem americano sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia, acrescentando que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro, Cristovam Buarque retorquiu:
Realiza-se nos próximos dias 22 e 23 de Janeiro uma Conferência Internacional sobre Media e Desporto, organizada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa, na Sala de Exposições, Edifício da Biblioteca, Palma de Cima, em Lisboa. Todas as informações sobre horários, temas, conferencistas, inscrições, estão disponíveis em http://mediaedesporto.blogspot.com/.