domingo, 10 de outubro de 2010

10/10/10 Global Work Party - vai participar?

Se ainda não decidiu em qual dos eventos vai participar neste dia para a consciencialização sobre o problema das alterações climáticas proposto pela organização internacional 350.Org/, veja este Mapa. Quem sabe se não haverá uma concentração bem perto de si, aumentando assim o número de pessoas que se reunirão em todo o mundo com o propósito de enviar uma mensagem clara aos participantes na próxima Cimeira sobre Alterações Climáticas que se realizará em Dezembro, no México, ao mesmo tempo que  poderá passar uma horas agradáveis e saudáveis de convívio, com passeios a pé, de bicicleta ou por qualquer outro meio não poluente, a partir das 10:00 horas de hoje.
Quem residir em Vila Nova de Famalicão ou nos concelhos e freguesias vizinhas, não deixe de consultar o blogue Sustentabilidade É Acção, da incansável Manuela Araújo, onde encontrará todo o programa da Caminhada pelo Clima em Famalicão, que também poderá consultar AQUI, bem como outros eventos similares noutras regiões do país.
Se o temporal der tréguas, estarei junto ao Padrão dos Descobrimentos.

sábado, 9 de outubro de 2010

Domestic Violence Awareness Month

Durante o mês de Outubro, e em conjunto com os amigos da Organização Bloggers Unite, cada um escolhendo o dia que mais lhe convier, procuraremos sensibilizar para o gravíssimo problema, e também crime, que é a violência doméstica, de cujas vítimas, principalmente das mortais, ouvimos falar todos os dias no nosso país.
Tanto os homens como as mulheres podem ser vítimas de violência doméstica. Tanto os homens como as mulheres podem ser os agressores na violência doméstica. E tanto as vítimas como os agressores necessitam de ajuda. Ambos têm de afastar-se um do outro e desse ciclo de violência. Se houver crianças envolvidas, quer como vítimas de violência quer como espectadores inocentes da mesma, devem ser também afastadas desse ambiente. A violência doméstica não causa apenas danos físicos.
Se é vítima de violência doméstica, veja-se ao espelho e aprecie o seu próprio valor. O amor nada tem a ver com abusos físicos ou psicológicos. Ninguém tem o direito de agredir quem quer que seja.
Aos primeiros sinais, tanto a vítima como o agressor, devem procurar ajuda antes que seja tarde demais.
Embora criadas muito recentemente, em Portugal, há  já postos de Polícia com equipas mistas para darem apoio especificamente a vítimas de violência doméstica e com capacidade para encaminharem todo o processo para um Tribunal, no mais curto espaço de tempo.
Outro tipo de apoio, incluindo o psicológico, tem sido prestado pela APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima nos últimos 20 anos, apoio que se estende a vítimas de qualquer tipo de crime, com o telefone 707 200 077.
Como ficou ao nosso arbítrio escolher algo que possa simbolizar a manifestação do verdadeiro amor, escolhi o belíssimo poema de José Carlos Ary dos Santos
Estrela da Tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


Ary dos Santos









Com especiais cumprimentos para a Bloggers Unite

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Heteronimia de Sócrates?


Este vídeo "Sócrates vs Sócrates" é uma montagem excelente, e inteligente, que nos mostra de uma maneira muito fácil e directa as contradições nos argumentos políticos consoante a posição que se ocupa em dado momento.





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Senhores deputados, já pensaram na opção sueca?

É tão simples o que podemos fazer para cortar nas despesas de funcionamento do Estado  em Portugal! Para o corte de despesas na estada em Lisboa dos deputados de outras regiões, durante a semana, que sigam o exemplo dos parlamentares suecos (1.º vídeo). No que respeita à transparência sobre o que fazem e decidem e no contacto com os cidadãos,  bem como na prestação de contas, também (2.º vídeo). E há tantas outras áreas onde se desperdiça o dinheiro dos contribuintes portugueses e que podia enumerar mas, para já, fiquemos por estes exemplos. Penalizar os mais desfavorecidos com impostos é que é vergonhoso e demonstra a má gestão dos dinheiros públicos.



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

António José Seguro, felizmente, não perdeu a lucidez

Acabei de ouvir na Antena 1 o deputado socialista António José Seguro, em declarações que já tinha feito ontem à noite à Agência Lusa, e em que considera «inaceitável» que, em tempo de crise, os sacrifícios não sejam feitos pelos que mais têm.
«Acho inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos portugueses não sejam todos os portugueses, em particular aqueles que mais têm, a dar esse exemplo e a fazerem esses sacrifícios».
Para o deputado do PS, que é também presidente da comissão de assuntos económicos na Assembleia da República, os portugueses «estão fartos de fazerem sacrifícios sem verem resultados e é preciso que os sacrifícios estejam ligados aos resultados».
O combate à crise é, na sua opinião, uma tarefa geral «mas, em primeiro lugar, de todos aqueles que têm responsabilidades na direcção do país, das regiões e das autarquias»
É muito bom saber que António José Seguro pensa pela sua própria cabeça, não pertencendo àquele grupo de pessoas que caracterizo de "rebanho", que, por não terem pensamento próprio nem capacidade de análise crítica, se limitam a seguir a corrente.
(sublinhados meus)
Áudio e texto  AQUI

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Frei Fernando Ventura em entrevista à SIC, para reflexão (2/10/2010)


 
http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/Edicao+da+Noite/2010/10/frei-fernando-ventura-sobre-a-situacao-do-pais02-10-2010-01611.htm

Para quem prefira ler em vez de ouvir, aqui fica a transcrição do texto, no que se refere a educação, feita pelo blogue  De Rerum Natura

«[Há] uma tragédia a que vamos assistindo quase sem reacção (...) teria de se construir um projecto social diferente. Nós temos demasiado denunciadores e não temos anunciadores, e os anunciadores que temos mentem (...). O caminho tem de ser outro, de construção duma consciência social, duma consciência colectiva de co-responsabilidade social (...).
[Neste] país de um nível cultural baixíssimo (...) tem agora esta espécie mentira colectiva das Novas Oportunidades, são novas oportunidades de quê? De coisa nenhuma.
Vamos dar um canudo às pessoas mas não construir uma consciência cultural, não vamos construir uma consciência social, vamos continuar, e esta é outras das nossas desgraças nacionais, a viver para a cultura do penacho, das peneiras e dos títulos (…) e sabemos como, às vezes, os diplomas se conseguem e as confusões que estão por aí…
Se o Bordalo Pinheiro fosse vivo, neste momento, a fotografia que ele faria do país seria barraca de um bairro de lata com um submarino estacionado à porta. Nós somos o país do pessoal das barracas com antena parabólica no tecto, temos um país a cair de podre, mas temos um submarino lindíssimo para as visitas verem, mas se calhar nem sequer temos fundo para o pôr a navegar …
Este seria o momento, não de aparição de nenhum messias, mas de aparição de gente capaz de formar opinião, gente capaz de formar consciência, gente capaz de gritar que o rei vai nu por muito engravatado que esteja, gritar que é tempo de mudar e de mudar as estruturas podres que nos conduziram até aqui. E estamos outra vez a sacudir a água do capote (...).
O facilitismo começa desde o Jardim-de-infância. Nós estamos a assistir a uma débâcle nacional, estamos a montar uma escola, [onde] teoricamente e por ironia da estupidez, é possível entrar na universidade sem quase saber ler nem escrever.
Estamos a mentir às pessoas, não estamos a dar um futuro aos nossos jovens. Pior do que isso, estamos a construir uma sociedade montada na fachada (…). Estamos a formar ou a deformar as gerações que vão ser o futuro desta nossa terra, que estão a crescer sem bases, que estão a crescer sem valores, que estão a crescer dentro duma sociedade que está montada no ter ou não ter e que deixou, esqueceu, o ser pelo ser, e o ser pelo outro e o ser com o outro (...).
Reparem no que está a acontecer (…) vamos pagar uma factura extremamente pesada, e muito brevemente: nós estamos a criar gerações de monstros, nós estamos a criar gerações de jovens sem memória, estamos a criar gerações de gente sem história. E quando a memória e a história não se encontram, temos os cataclismos sociais.
As nossas crianças desde os três meses estão nos berçários, nos infantários, na escola porque têm que estar porque os pais precisam desesperadamente de ter dois ou três empregos para sobreviver (…) as nossas crianças não têm avós, não têm, sequer, pais (…).
É esta estrutura, por dentro, que precisa de mudar, e é a partir da base, a partir da educação.
Outra das facturas grandes que estamos a pagar (…) é a de um peneirismo nacional que entrou a seguir ao PREC e resolveu acabar com as Escolas Industriais e Comerciais (…). Não somos técnicos de coisa nenhuma. Veja um jovem que saia do liceu não sabe fazer rigorosamente nada. Temos a brincadeira dos Cursos Técnico Profissionais que são mais fachada do que outra coisa e temos uma população inteira de gente desqualificada. Nós somos os limpadores do mundo (…), continuamos a despejar os caixotes do lixo da Europa e da América do Norte. Não temos formação para mais (...). O destino é sermos comandados.»

domingo, 3 de outubro de 2010

Leitura integral de "Fanny Owen", dia 15, na Casa Fernando Pessoa


A 15 de Outubro, sexta-feira, dia em que Agustina Bessa-Luís completará 88 anos, terá início uma maratona para a leitura integral do livro "Fanny Owen", com início às 11:00 h, na Biblioteca da casa Fernando Pessoa, em Lisboa, aberta a todos os que desejarem participar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jeremy Irons e a fome no mundo


Se tiver ficado um pouco furioso como Jeremy Irons neste vídeo e quiser fazer alguma coisa sobre o assunto, assine a respectiva petição, e pode utilizar a minha ligação, que é esta: http://www.1billionhungry.org/mariajosefapaias/



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O legado de Sócrates: a impunidade - texto de Alexandre Homem Cristo

O trabalho e tempo que me poupa o Alexandre Homem Cristo quando diz o que há a dizer sobre José Sócrates, Pedro Passos Coelho e a situação do país, e que reproduzo:
Um dos factores que está na raiz da tensão entre Passos Coelho e Sócrates, na discussão do Orçamento de Estado 2011 (OE2011), é o facto de o líder do PSD pretender tomar conhecimento dos números da execução das medidas que viabilizou quando assinou o PEC. É apenas razoável que, antes de negociar novamente, Passos Coelho pretenda ver em números quanto vale a palavra de Sócrates.
Daniel Bessa, na sua crónica no Expresso, chama a atenção para o facto de ninguém saber se o PEC está a ser cumprido, porque não há números disponíveis. Ao fazê-lo, não só dá razão ao pedido de Passos Coelho, como denuncia uma falha na qualidade da democracia portuguesa: não existe informação para uma adequada prestação de contas. Nesse aspecto, a situação portuguesa é dramática, como comprovam estes exemplos nas mais importantes áreas políticas do país.
- Na Economia, foi possível, há um ano atrás, que Sócrates ocultasse o verdadeiro défice, tornando-o conhecido somente após as eleições legislativas. Hoje, em plena negociação do OE2011, não sabemos se o PEC está a ser cumprido.
- Na Educação, não há informação estatística que acompanhe individualmente os alunos, pelo que nunca sabemos se as escolas e/ou as políticas educativas estão a produzir melhorias nos desempenhos dos alunos. O Ministério da Educação monopoliza a informação e decide o que é ou não é divulgado.
- Na Justiça, os casos mediáticos (Freeport, Casa Pia) levaram à tensão entre o Procurador-geral da República, o Bastonário da Ordem dos Advogados e vários juízes. Institucionalmente, nunca ninguém foi responsabilizado.
Os exemplos multiplicam-se, e todos levam à mesma conclusão: Portugal precisa de mais transparência de informação e, em simultâneo, que os seus cidadãos tenham mais voz para impor uma verdadeira prestação de contas a partir dessa informação. Não basta a informação existir, é necessário que os cidadãos tenham força para a usar (cf. Lindstedt and Naurin, Transparency is not Enough: Making Transparency Effective in Reducing Corruption, International Political Science Review 2010 31: 301).
Sócrates, já todos percebemos, não é compatível com a transparência na política. Pior, Sócrates terá sido o primeiro-ministro que, na história da nossa democracia, melhor soube tirar proveito da ausência de informação e de enquadramento institucional para a vigilância do poder político. Por isso, o legado de Sócrates será, sobretudo, este: tornou insustentável a ausência de prestação de contas.
Compete agora, a quem o suceder como primeiro-ministro, terminar com este sufoco. Por isso, e só por isso, talvez um dia lhe possamos agradecer. 
Texto também AQUI

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sr. Ministro, quer a minha carteira ? - texto de Henrique Raposo

Teixeira dos Santos pensa e actua como se fosse dono das nossas carteiras. Há 14 mil (14.000) entidades dependentes do Orçamento, mas o governo não quer tocar neste enxame. Só quer tocar na nossa carteira.















Todo o texto, um pouco informal e publicado hoje, AQUI


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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Fernando Pessoa - citação (verdades/opiniões)


«Toda a opinião é uma tese e o mundo, à falta de verdades, está cheio de opiniões

Fernando Pessoa - "A Procura da Verdade Oculta" (textos filosóficos e esotéricos)

sábado, 18 de setembro de 2010

António de Sousa em entrevista hoje na Antena 1

No programa "Este Sábado" da Antena 1, transmitido hoje, a partir do 3.º minuto podemos ouvir uma entrevista a António de Sousa, Presidente da Associação de Bancos Portugueses, que, a certa altura, diz: "Se o Orçamento não for aceite em termos europeus será desastroso de qualquer forma". Por outras palavras, não interessa que seja aprovado ou não na Assembleia da República, e assim sendo é completamente estéril tudo o que se tem dito ou venha a dizer-se sobre este assunto internamente. O veredicto da União Europeia é que interessa. Toda a entrevista AQUI

sábado, 11 de setembro de 2010

Robert Fisk - Nine years, two wars, hundreds of thousands dead and nothing learnt

Por ser demasiado extenso, não o traduzo, mas por me parecer muito interessante, não quero deixar de reproduzir este artigo-reflexão de Robert Fisk publicado hoje no jornal  The Independent
«Did 9/11 make us all go mad? How fitting, in a weird, crazed way, that the apotheosis of that firestorm nine years ago should turn out to be a crackpot preacher threatening another firestorm with a Nazi-style book burning of the Koran. Or a would-be mosque two blocks from "ground zero" – as if 9/11 was an onslaught on Jesus-worshipping Christians, rather than on the atheist West.
But why should we be surprised? Just look at all the other crackpots spawned in the aftermath of those international crimes against humanity: the half-crazed Ahmadinejad, the smarmy post-nuclear Gaddafi, Blair with his crazed right eye and George W Bush with his black prisons and torture and lunatic "war on terror". And that wretched man who lived – or lives still – in an Afghan cave and the hundreds of al-Qa'idas whom he created, and the one-eyed mullah – not to mention all the lunatic cops and intelligence agencies and CIA thugs who failed us all – utterly – on 9/11 because they were too idle or too stupid to identify 19 men who were going to attack the United States. And remember one thing: even if the Rev Terry Jones sticks with his decision to back down, another of our cranks will be ready to take his place.  
Indeed, on this grim ninth anniversary – and heaven spare us next year from the 10th – 9/11 appears to have produced not peace or justice or democracy or human rights, but monsters. They have prowled Iraq – both the Western and the local variety – and slaughtered 100,000 souls, or 500,000, or a million; and who cares? They have killed tens of thousands in Afghanistan; and who cares? And as the sickness has spread across the Middle East and then the globe, they – the air force pilots and the insurgents, the Marines and the suicide bombers, the al-Qa'idas of the Maghreb and of the Khalij and of the Caliphate of Iraq and the special forces and the close air support boys and the throat-cutters – have torn the heads off women and children and the old and the sick and the young and healthy, from the Indus to the Mediterranean, from Bali to the London Tube; quite a memorial to the 2,966 innocents who were killed nine years ago. All in their name, it seems, has been our holocaust of fire and blood, enshrined now in the crazed pastor of Gainesville.
This is the loss, of course. But who's made the profit? Well, the arms dealers, naturally, and Boeing and Lockheed Martin and all the missile lads and the drone manufacturers and F-16 spare parts outfits and the ruthless mercenaries who stalk the Muslim lands on our behalf now that we have created 100,000 more enemies for each of the 19 murderers of 9/11. Torturers have had a good time, honing their sadism in America's black prisons – it was appropriate that the US torture centre in Poland should be revealed on this ninth anniversary – as have the men (and women, I fear) who perfect the shackles and water-drowning techniques with which we now fight our wars. And – let us not forget – every religious raver in the world, be they of the Bin Laden variety, the bearded groupies in the Taliban, the suicide executioners, the hook-in the arm preachers, or our very own pastor of Gainesville.
And God? Where does he fit in? An archive of quotations suggests that just about every monster created in or after 9/11 is a follower of this quixotic redeemer. Bin Laden prays to God – "to turn America into a shadow of itself", as he told me in 1997 – and Bush prayed to God and Blair prayed – and prays – to God, and all the Muslim killers and an awful lot of Western soldiers and Dr (honorary) Pastor Terry Jones and his 30 (or it may be 50, since all statistics are hard to come by in the "war on terror") pray to God. And poor old God, of course, has had to listen to these prayers as he always sits through them during our mad wars. Recall the words attributed to him by a poet of another generation: "God this, God that, and God the other thing. 'Good God,' said God, 'I've got my work cut out'." And that was just the First World War...
Just five years ago – on the fourth anniversary of the twin towers/Pentagon/Pennsylvania attacks – a schoolgirl asked me at a lecture in a Belfast church whether the Middle East would benefit from more religion. No – less religion! – I howled back. God is good for contemplation, not for war. But – and here we are driven on to the reefs and hidden rocks which our leaders wish us to ignore, forget and cast aside – this whole bloody mess involves the Middle East; it is about a Muslim people who have kept their faith while those Westerners who dominate them – militarily, economically, culturally, socially – have lost theirs. How can this be, Muslims ask? Indeed, it is a superb irony that the Rev Jones is a believer while the rest of us – by and large – are not. Hence our books and our documentaries never refer to Muslims vs Christians, but Muslims versus "The West".
And of course, the one taboo subject of which we must not speak – Israel's relationship with America, and America's unconditional support for Israel's theft of land from Muslim Arabs – also lies at the heart of this terrible crisis in our lives. In yesterday's edition of The Independent, there was a photograph of Afghan demonstrators chanting "death to America". But in the background, these same demonstrators were carrying a black banner with a message in Dari written upon it in white paint. What it actually said was: "The bloodsucking Zionist government regime and the Western leaders who are indifferent [to suffering] and have no conscience are again celebrating the new year by spilling the red blood of the Palestinians."
The message is as extreme as it is vicious – but it proves, yet again, that the war in which we are engaged is also about Israel and "Palestine". We may prefer to ignore this in "the West" – where Muslims supposedly "hate us for what we are" or "hate our democracy" (see: Bush, Blair and a host of other mendacious politicians) – but this great conflict lies at the heart of the "war on terror". That is why the equally vicious Benjamin Netanyahu reacted to the atrocities of 9/11 by claiming that the event would be good for Israel. Israel would now be able to claim that it, too, was fighting the "war on terror", that Arafat – this was the now-comatose Ariel Sharon's claim – is "our Bin Laden". And thus Israelis had the gall to claim that Sderot, under its cascade of tin-pot missiles from Hamas, was "our ground zero".
It was not. Israel's battle with the Palestinians is a ghastly caricature of our "war on terror", in which we are supposed to support the last colonial project on earth – and accept its thousands of victims – because the twin towers and the Pentagon and United Flight 93 were attacked by 19 Arab murderers nine years ago. There is a supreme irony in the fact that one direct result of 9/11 has been the stream of Western policemen and spooks who have travelled to Israel to improve their "anti-terrorist expertise" with the help of Israeli officers who may – according to the United Nations – be war criminals. It was no surprise to find that the heroes who gunned down poor old Jean Charles de Menezes on the London Tube in 2005 had been receiving "anti-terrorist" advice from the Israelis.
And yes, I know the arguments. We cannot compare the actions of evil terrorists with the courage of our young men and women, defending our lives – and sacrificing theirs – on the front lines of the 'war on terror". There can be no "equivalence". "They" kill innocents because "they" are evil. "We" kill innocents by mistake. But we know we are going to kill innocents – we willingly accept that we are going to kill innocents, that our actions are going to create mass graves of families, of the poor and the weak and the dispossessed.
This is why we created the obscene definition of "collateral damage". For if "collateral" means that these victims are innocent, then "collateral" also means that we are innocent of killing them. It was not our wish to kill them – even if we knew it was inevitable that we would. "Collateral" is our exoneration. This one word is the difference between "them" and "us", between our God-given right to kill and Bin Laden's God-given right to murder. The victims, hidden away as "collateral" corpses, don't count any more because they were slaughtered by us. Maybe it wasn't so painful. Maybe death by drone is a more gentle departure from this earth, evisceration by an AGM-114C Boeing-Lockheed air-to-ground missile less painful, than death by shards from a roadside bomb or a cruel suicider with an explosive belt.
That's why we know how many died on 9/11 – 2,966, although the figure may be higher – and why we don't "do body counts" on those whom we kill. Because they – "our" victims – must have no identities, no innocence, no personality, no cause or belief or feelings; and because we have killed far, far more human beings than Bin Laden and the Taliban and al-Qa'ida.
Anniversaries are newspaper and television events. And they can have an eerie habit of coalescing together to create an unhappy memorial framework. Thus do we commemorate the Battle of Britain – a chivalric episode in our history – and the Blitz, a progenitor of mass murder, to be sure, but a symbol of innocent courage – as we remember the start of a war that has torn our morality apart, turned our politicians into war criminals, our soldiers into killers and our ruthless enemies into heroes of the anti-Western cause. And while on this gloomy anniversary the Rev Jones wanted to burn a book called the Koran, Tony Blair tried to sell a book called A Journey. Jones said the Koran was "evil"; Britons have asked whether the Blair book should be classified as "crime". Certainly, 9/11 has moved into fantasy when the Rev Jones can command the attention of the Obamas and the Clintons and the Holy Father and the even more Holy United Nations. Whom the gods would destroy...»
(sublinhado meu)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mainstream - crónica de José Luís Pio de Abreu

… O mainstream é feito por aqueles que berram ou têm palco. Mas dado que é, por sua natureza, imitação, ele apenas se repete. Quem anda no mainstream não tem tempo para ler, estudar ou investigar, pois passa o seu tempo a repetir.
O mainstream é fruto da ignorância e da preguiça mental. Mas confere aos ignorantes a oportunidade de terem um protagonismo que não teriam de outro modo." (José Luís Pio de Abreu – todo o texto AQUI). 

E eu a pensar que era apenas impressão minha ao tropeçar com eles na blogosfera, mas se o Dr. Pio de Abreu o diz ...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia Internacional da Literacia

Quando está ainda a decorrer a década que a Organização das Nações Unidas (ONU), através da UNESCO, dedica ao tema da Literacia (2003-2012), que veio substituir o da Alfabetização por se ter compreendido que uma pessoa alfabetizada não tem necessariamente a capacidade para interpretar o que lê e ouve nem competências para aplicar correctamente certos conhecimentos, assiná-la-se hoje mais um Dia Internacional da Literacia, que servirá principalmente para se fazer o balanço e reflectir sobre esta temática a nível mundial.
A literacia é, segundo a UNESCO, um direito humano, uma ferramenta para o desenvolvimento pessoal e um meio para o desenvolvimento social e humano, essencial para a erradicação da pobreza, redução da mortalidade infantil, para alcançar a igualdade de géneros, para assegurar o desenvolvimento sustentável, a paz e a democracia, e, por isso, estes são alguns dos motivos que a levam a colocar a literacia no centro da iniciativa “Educação para Todos”.
Actualmente, a iliteracia, de acordo com as estimativas da UNESCO, caracteriza um em cada cinco adultos, dos quais dois terços são mulheres, e já há muito que se chegou à conclusão de que é nas mulheres que se tem de apostar a todos os níveis de ensino e de formação porque são elas as primeiras educadoras dos seus filhos. O número de crianças que não frequenta o sistema de ensino, estimado em 72 milhões a nível mundial, e principalmente no chamado “terceiro mundo”, pode bem ser o reflexo de ainda não se ter apostado nas suas mães neste domínio.
A UNESCO não advoga um único modelo de literacia. O conceito tem evoluído ao longo dos anos, com novas implicações tanto ao nível das políticas a implementar como dos programas que têm sido desenvolvidos. Na prática, a literacia tem mudado rapidamente nas sociedades contemporâneas fruto de uma resposta aos desafios que se impõem aos níveis social, económico e tecnológico. Daí que, o conceito de literacia da UNESCO tem vindo a transformar-se, desde uma simples noção de um conjunto de competências de leitura, escrita e cálculo até envolver múltiplas dimensões destas mesmas competências. Face às recentes transformações económicas, políticas e sociais, incluindo a globalização e os avanços na área das Tecnologias da Informação e Comunicação, a UNESCO reconhece a existência de muitas práticas no domínio da literacia com base em diferentes processos culturais, em circunstâncias pessoais e nas estruturas colectivas que se desenvolvem. No portal  divulgado é possível aceder, entre outros conteúdos, ao programa estabelecido pela agência, em particular no âmbito da Década das Nações Unidas para a Literacia, assim como a materiais dedicados ao desenvolvimento da literacia e de programas de educação para adultos em comunidades linguísticas minoritárias.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tempo e Paciência - texto de Carlos Fiolhais

Mais um texto que reflecte sobre o que muitos já sabemos, desta vez da autoria de Carlos Fiolhais, publicado ontem no Público e no De Rerum Natura, onde o li, sobre as nossas idiossincrasias que, a maior parte das vezes, atrapalham o nosso desenvolvimento:
«As notícias de meados de Agosto davam conta de que a economia alemã tinha crescido 2,2 por cento do primeiro para o segundo trimestre deste ano, um número recorde desde a reunificação, enquanto a economia portuguesa tinha crescido no mesmo período uns míseros 0,2 por cento. É caso para dizer que a locomotiva da Europa bem puxa, mas as carruagens da cauda teimam em não andar.
Se se quer perceber porquê, não há nada como dar um salto à Alemanha. Apartei-me do estio português a meio de Agosto, logo a seguir às notícias do crescimento desigual, em busca das razões da desigualdade. Para chegar ao aeroporto de Lisboa tinha-me socorrido de um táxi, mas, à chegada ao aeroporto de Colónia-Bona, tal já não foi preciso, pois logo um comboio me esperava, com rigorosa pontualidade, para me deixar, escassos minutos depois, na Hauptbanhof de Colónia, onde pude tomar o metro. O hotel onde fiquei deu-me depois um passe de transportes urbanos para os dias da estada, prática comum a várias cidades europeias. O sistema de transportes regional está bem planeado e funciona, dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, de acordo com o afixado. As entradas e saídas do metro estão abertas, pois a fiscalização é apenas ocasional. Menschen bewegen (Mover pessoas) é a divisa da empresa de transportes urbanos. Tudo está feito para poupar tempo. Em Lisboa, apesar dos investimentos brutais realizados com dinheiros europeus (isto é, alemães) em detrimento de outras zonas do país, não há nem comboio nem metro até ao aeroporto. E toda a gente perde imenso tempo. 
Sempre que regresso à Alemanha sei que reentro num país onde não só os relógios funcionam como as pessoas funcionam de acordo com os relógios, cumprindo os planos que estabeleceram. E pergunto de cada vez a mim próprio como é que os alemães conseguem lidar com o problema do tempo português quando se deslocam, em trabalho ou em férias, ao nosso país. Numa livraria, que as há boas na baixa de Colónia, comprei, por isso, o livro Gebrauchsanweisung für Portugal (Piper, 5ª edição, 2010), em português Manual de Instruções para Portugal, do jornalista Eckhart Nickel. O autor fornece as palavras-chave para sobreviver numa visita a Portugal: tempo e paciência (Zeit und Geduld). Escreve: “Percorrer Portugal em meios de transporte públicos exige tempo e paciência”. Conjecturo que a segunda palavra só existe na língua alemã por causa da eventual necessidade de deslocação ao extremo oeste da Europa... Não foi há muitos anos que uma colega alemã ficou estupefacta por nem sequer encontrar horários de autocarros em Portugal. Tinha simplesmente de esperar com a necessária paciência pelo próximo. Agora, o jornalista queixa-se de que os horários de transportes são dados de um modo encriptado. Por exemplo, os horários de autocarro têm notas de rodapé do tipo: “De 16/9 a 30/6 aos sábados (ou sextas feiras se for feriado) ou segundas-feiras (ou terças-feiras se for dia seguinte a feriado)”. Essas indicações, convenhamos, desanimam qualquer passageiro, que, se desesperar na espera, terá de chamar um táxi. O autor previne os visitantes a Portugal: “Quem tem tempo, é aqui um rei, mas quem não tem não devia cá vir. Pois até os horários de abertura [de serviços] não passam de meras recomendações: dentro deles ser-se-á com sorte atendido por funcionários que se movem com a velocidade de uma lagosta num aquário”. 
Já éramos assim antes do 25 de Abril e pouco mudámos. Curt Meyer-Clason, que dirigiu o Instituto Goethe em Lisboa nos anos 70 do século passado, escreveu nos seus Diários (Portugiesicher Tagebuecher, Athenäum, 1979), numa entrada de 1972: “O tempo português é uma substância que se deixa evaporar”. Como é que um povo que não faz planos claros, não tem serviços públicos decentes e não respeita quaisquer horários pode aspirar ao mesmo produto interno bruto que os alemães? Como é que um país cujo primeiro-ministro se compraz em chegar atrasado a eventos oficiais pode apanhar o comboio da Europa? Não pode. Ainda que tenha muito tempo e paciência.»

sábado, 21 de agosto de 2010

Todos diferentes, todos diferentes - texto de Rodrigo Tavares

Quando nos questionamos sobre o destaque que algumas notícias e eventos têm e outros que se nos apresentam como de importância igual ou superior são omitidos, talvez este texto de Rodrigo Tavares, Todos diferentes, todos diferentes, publicado na passada quinta-feira na Visão, nos ajude a reflectir sobre as causas para que tal aconteça. Só é pena estar escrito num arremedo de português.

Rodrigo Tavares
11:53 Quinta feira, 19 de Ago de 2010

Quem lê diariamente vários jornais internacionais deteta com facilidade que são poucas as variações no texto. As manchetes são iguais no Japão ou na Islândia. Os românticos do jornalismo interventivo e empírico, como Ryszard Kapuscinski, deram lugar às agências internacionais. As notícias deram lugar aos press-releases. A informação que nos chega é muitas vezes granítica, fechada, e unilateral.
Isto tem várias consequências perniciosas. Como são poucos os produtores de notícias, existe uma tendência para dar prioridade aos mesmos assuntos. A agenda é monopolizada pelas mesmas vontades. A notícia de um avião que se despenhe no Botswana terá mais relevância no vizinho Zimbabué do que no Equador. Faz sentido. Mas porque é que um derramamento de petróleo no Golfo do México, nos EUA, tem que algemar as notícias ao longo dos últimos meses, enquanto um derramamento de petróleo no Delta do Níger, na Nigéria, é ignorado? O primeiro durou 4 meses e afetou algumas centenas de pessoas, o segundo, dura silenciosamente há 50 anos e afeta milhões.
Ao mesmo tempo que começamos a sentir um impulso pela nacionalização do outro, pela vontade de extravasarmos o nosso reduto cultural, são as notícias que ditam quem tem valor e quem não tem. Elas são os novos juízes do purgatório. Um africano tem menos valor do que um europeu. Um asiático tem menos valor do que um americano. Enquanto escrevo, as cheias no Paquistão já afetaram 20 milhões de pessoas. É a maior catástrofe do género. Mas a cobertura jornalística é incomparavelmente inferior às cheias em Nova Orleães em 2005.
Talvez o melhor exemplo do desequilíbrio na agenda da imprensa internacional seja o conflito israelo-palestiniano. Basta alguém lançar um cocktail molotov em Telavive para ser destaque a nível mundial. Mas todos os dias morrem centenas de pessoas em outros conflitos sem qualquer cobertura mediática. Como me disse um dia ao almoço, de forma sarcástica, um premiado correspondente de guerra indiano, a única razão porque ainda não há paz no Médio Oriente é porque demasiados jornalistas estão acreditados na região. Telavive é a segunda cidade do mundo com maior número de jornalistas estrangeiros (depois de Washington). E existe uma forte pressão para transformar "eventos" (mesmo que irrelevantes) em "notícias". Nas eleições palestinianas de 2006, testemunhei jornalistas estrangeiros manipulando crianças de forma a industrializar manchetes. Eu não descuro a complexidade do conflito no Médio Oriente. Mas é interessante reparar que esse conflito causa menos vítimas anuais do que os acidentes de viação em Portugal. A narrativa do conflito, alimentada pelas agências de notícias, torna irracional a nossa perceção da realidade.
Os desequilíbrios dos media também afetam a agenda política e humanitária. A disponibilidade de um país em ajudar uma nação atingida por uma catástrofe natural é proporcional à pressão mediática para o fazer. O problema é que as agências de notícias movem-se, muitas vezes, por interesses comerciais. Mas os estados é suposto regerem-se por outro tipo de princípios. É por isso importante estar atento à exceção, ao inoportuno, à alternativa. É aí que reside o novo jornalismo. E a nova política.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Ajuda Humanitária

No ano passado, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), proclamou o dia 19 de Agosto como Dia Mundial da Ajuda Humanitária para assinalar o ataque de 19 de Agosto de 2003 contra o Hotel Canal em Bagdade, o qual causou a morte a 22 membros do pessoal das Nações Unidas, incluindo o então chefe da sua missão no Iraque, Sérgio Vieira de Mello, e fez mais de 150 feridos.
Em 2009 foram mortos, sequestrados ou gravemente feridos, em consequência de ataques, 260 trabalhadores humanitários, o número mais elevado de sempre e, quando se fizerem as contas no final deste ano, certamente que o número continuará a ser inaceitável tanto para quem ajuda como para quem é ajudado,  já que os ataques, suicidas ou não, continuam a verificar-se quase todos os dias, quer no Iraque, quer no Afeganistão onde ontem, num  ataque suicida em Cabul, foram mortos dois funcionários afegãos da ONU juntamente com outras sete pessoas.
Sendo os trabalhadores humanitários também veículos de conhecimento, designadamente sobre os direitos humanos fundamentais, têm vindo a tornar-se, também por isso, em alvos a abater quando tentam ajudar em sociedades em que os cidadãos não têm quaisquer direitos.
Homenageio assim todos os trabalhadores humanitários, os que continuam no terreno e os que deram a vida tentando melhorar a vida dos outros.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Black Eyed Peas - Where is the love?

Publiquei há algum tempo no Fb mas ainda não tinha publicado aqui esta interessante canção-manifesto:

quinta-feira, 29 de julho de 2010

As contradições da UE sobre OGM - Não se cultivam, importam-se!

Numa reunião, no final do mês de Junho, os Ministros da Agricultura dos 27 Estados membros da União Europeia (UE) não conseguiram uma maioria de votos nem a favor nem contra a importação de seis espécies de milho geneticamente modificado (OGM) para alimentação humana e animal, o que, segundo os regulamentos da UE, impõe que seja a Comissão Europeia a decidir. E esta decidiu pela importação desses produtos, depois de ouvir a Agência Europeia de Segurança Alimentar (AESA ou EFSA) que avaliou positivamente os seis tipos de milho OGM.
Depois de anos de estudos e de lutas e em que se acordou, recentemente, que apenas poderiam ser cultivados na Europa a batata Amflora e o milho MON810, ambos OGM, a Comissão Europeia sai-se com esta autorização de importação de seis espécies de milho OGM e, ainda por cima, a autorização é válida por um período de dez anos!
Esta decisão foi já criticada pela França e pela Alemanha, que se opõem aos OGM, e por entenderem que este passo pode levar, no futuro, à cultura destes produtos na Europa. Tudo o que a Comissão propôs, foi a modificação destes regulamentos, para não ficar com toda a responsabilidade neste tipo de resoluções.
E pergunto eu: do mesmo modo que a Comissão decidiu pelo "sim" à importação destes produtos, não podia ter decidido pelo "não"? Se não havia uma posição maioritária dos Ministros da Agricultura nem para um lado nem para o outro!

Fonte: RFI

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Adesão da Islândia à UE - Sim!, Não!, Talvez...

Quem pensasse que os islandeses não tinham outra saída para a sua própria crise financeira de há um ano senão a adesão à União Europeia (UE), talvez seja tempo de conhecerem um pouco melhor a fibra dos 300.000 habitantes daquela ilha. Aliás, a adesão da Islândia à UE nem implica um processo muito complicado, uma vez que há mais de quinze anos que já participa no mercado comum, faz parte integrante do espaço Shengen de livre circulação de pessoas e aplica quase três quartos das leis que a UE julga necessárias a uma adesão.
Então por que é que a tendência do "sim", que se verificava há um ano, se transformou num "não" para 60% do islandeses questionados agora? É que tiveram oportunidade de ver o modo como a UE lidou com a crise global, em particular a zona euro, tendo a própria crise grega feito com que os islandeses começassem a duvidar da sua fé no euro. Fé essa completamente perdida quando a Grã-Bretanha e a Holanda exigiram aos contribuintes islandeses que indemnizassem os cidadãos britânicos e holandeses afectados pelo naufrágio da Banca islandesa Icesave, o que recusaram através de referendo por 93,3%. E é também este episódio que está na origem do actual "desamor" entre a Islândia e a UE.
Por outro lado, a Islândia tem, neste momento, um governo de coligação entre social-democratas e verdes, sendo os primeiros favoráveis à adesão e os segundos nem por isso. Assim, a maioria no Parlamento está de acordo com a continuação das negociações mas não sobre a adesão, o que torna a posição da primeira-ministra social-democrata Johanna Sigurdardottir, muito delicada.

Na foto: Johanna Sigurdardottir
Fonte: RFI

domingo, 25 de julho de 2010

Acessibilidade para todos = Inclusão

Com um dia de atraso, por motivos de força maior, junto-me à comunidade BloggersUnite no sentido de chamar a atenção para o muito que ainda há a fazer na educação para a cidadania, neste caso concreto para que se respeitem os direitos dos cidadãos com deficiência, permanente ou temporária, e cada um de nós não está livre de passar por essa experiência.
Como é habitual, a legislação portuguesa é boa, também nesta matéria, mas o seu problema é sempre o da sua implementação no terreno, e é aí, no dia-a-dia, que as pessoas com mobilidade reduzida, quer seja em cadeiras de rodas, com o auxílio de canadianas ou de bengala no caso dos invisuais e amblíopes, que a falta de rigor e de medidas expeditas mais se faz sentir, pois qualquer pequeno obstáculo pode representar um perigo ou mesmo algo de intransponível para esses cidadãos.
Por outro lado, o nosso Código da Estrada é já bastante severo no que respeita a coimas para os condutores que estacionem os veículos em cima dos passeios e nos lugares reservados a deficientes, estando sujeitos a reboque além da coima. No entanto, parecem não ser suficientemente dissuasoras desse comportamento de absoluta falta de respeito para com as pessoas com deficiência.
No Concelho onde vivo é com agrado que vejo os passeios rebaixados junto às passadeiras para peões, rampas amplas e com pouca inclinação para acesso a estabelecimentos comerciais, mas também existe ainda um Centro de Saúde com três pisos sem elevador para ninguém, há mais de trinta anos, e que só agora a Autarquia parece ter condições de construir um de raiz adequado à função e para substituir este.
Como não tenho um vídeo que possa ilustrar o que ainda há a fazer nesta matéria no meu Concelho, deixo um vídeo, muito bem feito, com a realidade de Guimarães, e como, nesta matéria, os problemas são todos iguais, e as dificuldades que os cidadãos deficientes enfrentam também, não importa a localidade, o que interessa é chamar a atenção a quem de direito para actuar em conformidade.
A partir do 6.º minuto deste vídeo poderão ver como um homem em cadeira de rodas resolveu ultrapassar o seu obstáculo - um veículo em cima do passeio. Deplorável a falta de civismo de alguns de nós.

domingo, 18 de julho de 2010

Dia Internacional de Nelson Mandela

Se há pessoa que mereça um Dia Internacional, pelo seu exemplo, é Nelson Mandela. E a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu isso mesmo ao decidir instituir este dia, em Novembro de 2009, "pela contribuição do ex-Presidente sul-africano para a cultura da paz e da liberdade", tendo sido o primeiro reconhecimento desse género que a ONU fez a um indivíduo. Por seu lado, o Conselho de Segurança da ONU também reconheceu a dedicação de Mandela "ao serviço da humanidade na resolução de conflitos, relações entre raças, promoção e protecção dos direitos humanos, reconciliação, igualdade entre os sexos e os direitos das crianças e de outros grupos vulneráveis".
E como este dia coincide com a data do seu aniversário de nascimento, que hoje perfaz  92 anos, está duplamente de parabéns, bem como todos os que o admiram e têm a noção de que o mundo seria diferente sem o seu contributo e exemplo.
Happy Birthday and Happy Nelson Mandela's Day, Mr. Nelson Mandela!
Também o contributo dos Simple Minds, que ainda não tinham passado por aqui:

sábado, 17 de julho de 2010

Aristóteles - Da Amizade

«A amizade sincera está no meio-termo entre a adulação e a hostilidade, e mostra-se nos actos e nas palavras. O adulador é o que concede aos outros mais do que convém e mais do que têm. O inimigo é o que nega os dotes evidentes que possui a pessoa de que não gosta. Escusado será dizer que nenhum destes dois caracteres merece elogio. O amigo sincero ocupa o verdadeiro centro; não acrescenta nada às boas qualidades que distinguem aquele de quem se fala, nem o elogia pelas que não tem, mas também não as rebaixa, nem se compraz jamais em contradizer a sua própria opinião. Assim é o amigo».

De La Gran Moral, Capítulo XXIX, 6.ª edición, Espasa-Calpe, S.A., Madrid, 1976
(tradução minha)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os trabalhadores sazonais e a União Europeia

Para os cerca de cem mil trabalhadores sazonais oriundos de países fora da União Europeia (UE), que anualmente vêm trabalhar principalmente na agricultura e no turismo, a UE está a elaborar um cartão único de permanência e de trabalho, dispositivo que tem como finalidade fixar direitos básicos a esses trabalhadores, o acesso à segurança social e aos regimes de reforma, mas também para os impedir de permanecer na Europa e ocuparem postos de trabalho permanentes.
Para obter uma autorização de trabalho sazonal, o requerente deverá apresentar um contrato ou contrato-promessa de trabalho, que terá a duração máxima de seis meses por ano civil, bem como documentos que deverão explicitar as condições de trabalho, o nível de remuneração e a duração da actividade, no respeito pelas leis do país de acolhimento.
A proposta da UE recomenda aos Estados membros a elaboração de autorizações de permanência de três anos com entradas múltiplas (seis meses por cada ano civil), não se tratando, portanto, de conceder o direito de permanência aos trabalhadores sazonais, e cada país fixará o número de sazonais a acolher e os sectores de actividade respectivos.
Alguns países, como a Alemanha, mostram-se reticentes sobre a adopção de uma tal  directiva que, contudo, terá ainda de ser debatida no Parlamento Europeu e no Conselho dos 27 países da União, antes de entrar em vigor.
Será impressão minha, mas a quantidade de burocracia e de fiscalização que estas medidas bem intencionadas requerem, irão tornar esta directiva, se aprovada, inexequível.

Imagem por: Getty Images/ John Slater
Fonte: RFI

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fui um filósofo nos séculos XVIII - XIX

De vez em quando ofereço-me um "fait divers" para manter alguma sanidade mental e não perder a capacidade de me rir de mim mesma.
Como a situação económica e financeira do país, da zona euro e da União Europeia em geral vai prosseguindo na senda do que já escrevi, e falar agora da decisão de hoje da Agência Moody, e da consequente desvalorização do euro, ou das asneiras do governo, seria estar a repetir-me, uma vez que tudo se tem vindo a desenrolar de acordo com o que já intuí (e aqui a "intuição" é a palavra-chave para o que se segue).
Estando a "arrumar" o correio do gmail, reparei numa mensagem de Setembro de 2009 a que, na altura, talvez por falta de tempo ou de disposição, não prestei atenção, mas que arquivei com uma estrelinha, o que quer dizer que ficou a aguardar melhores dias. Esse dia foi hoje e lá fui ver do que tratava o endereço que constava na mesma, e que é, nem mais nem menos, o diagnóstico do que fomos na nossa última incarnação terrena. E sobre mim, diz o seguinte:
"Não sei se lhe parece bem ou não, mas foi um homem na sua última incarnação terrena; nasceu no território que hoje conhecemos como Ucrânia, por volta do ano 1775. A sua profissão era a de filósofo e pensador. Foi uma pessoa tímida, contida, tranquila. Tinha talento criativo, mas que esperou até esta vida para ser libertado. Por vezes, os que o rodeavam consideravam-no uma pessoa estranha.
A lição que a sua vida passada lhe deu para a incarnação actual foi a de que a sua percepção do mundo sempre lhe pareceu, de certo modo, diferente da dos outros. A lição a aprender é que deve confiar na intuição como a sua melhor guia na sua vida actual".
Ora aqui está a intuição que mencionei atrás e que, na falta de formação em Economia e Finanças, me tem permitido avaliar as situações e o seu desfecho com acerto, até agora, e que herdei do tal filósofo que já fui nos séculos XVIII-XIX. Agora já só me falta descobrir quem foi (fui) e qual o contributo que deixou (deixei) para o pensamento contemporâneo. Mas isso parece-me uma tarefa um pouco mais complicada. Vamos ver se o "talento criativo que esperou por esta vida para ser libertado" me serve de alguma coisa nesta demanda. Sou mesmo uma pessoa "estranha", como já escrevi algures :))