Durante o mês de Outubro, e em conjunto com os amigos da Organização Bloggers Unite, cada um escolhendo o dia que mais lhe convier, procuraremos sensibilizar para o gravíssimo problema, e também crime, que é a violência doméstica, de cujas vítimas, principalmente das mortais, ouvimos falar todos os dias no nosso país.
Tanto os homens como as mulheres podem ser vítimas de violência doméstica. Tanto os homens como as mulheres podem ser os agressores na violência doméstica. E tanto as vítimas como os agressores necessitam de ajuda. Ambos têm de afastar-se um do outro e desse ciclo de violência. Se houver crianças envolvidas, quer como vítimas de violência quer como espectadores inocentes da mesma, devem ser também afastadas desse ambiente. A violência doméstica não causa apenas danos físicos.
Se é vítima de violência doméstica, veja-se ao espelho e aprecie o seu próprio valor. O amor nada tem a ver com abusos físicos ou psicológicos. Ninguém tem o direito de agredir quem quer que seja.
Aos primeiros sinais, tanto a vítima como o agressor, devem procurar ajuda antes que seja tarde demais.
Embora criadas muito recentemente, em Portugal, há já postos de Polícia com equipas mistas para darem apoio especificamente a vítimas de violência doméstica e com capacidade para encaminharem todo o processo para um Tribunal, no mais curto espaço de tempo.
Outro tipo de apoio, incluindo o psicológico, tem sido prestado pela APAV - Associação Portuguesa de Apoio à Vítima nos últimos 20 anos, apoio que se estende a vítimas de qualquer tipo de crime, com o telefone 707 200 077.
Como ficou ao nosso arbítrio escolher algo que possa simbolizar a manifestação do verdadeiro amor, escolhi o belíssimo poema de José Carlos Ary dos Santos:
Estrela da Tarde
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
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| Ary dos Santos |
Com especiais cumprimentos para a Bloggers Unite


