.Neste dia mundial dos consumidores, que é especificamente dedicado aos serviços financeiros, não vou falar de taxas, comissões e muito menos dos próprios serviços financeiros prestados pelos Bancos, porque não são novidade para ninguém.
Resolvi, por isso, utilizar um soneto que Natália Correia escreveu para a Revista do Cooperativismo e da Defesa do Consumidor, Come & Cala, em Dezembro de 1981, e que, pelo menos, não será tão conhecido.
Comsumatum Est
No caso consumado do consumo
em que o marchante de toda a tralha acampa,
do apetite bem espremido o sumo
o consumido também consome a campa.
Vais do teu tempo à morte, homem sem humo,
oco e lançado, mas não pela tua rampa.
Ditam-te o pasto; és rês e deitas fumo.
És só pressão; e não te salta a tampa.
E, no último anel desta espiral,
com recibos por coluna vertebral,
do gesto aquisitivo, a estrénua caça
remexendo em ruínas e concheiros,
de humanos dias, só acha, verdadeiros,
restos de um anjo com dentadura falsa.
(de Poesia Completa, D. Quixote, 1999)
em que o marchante de toda a tralha acampa,
do apetite bem espremido o sumo
o consumido também consome a campa.
Vais do teu tempo à morte, homem sem humo,
oco e lançado, mas não pela tua rampa.
Ditam-te o pasto; és rês e deitas fumo.
És só pressão; e não te salta a tampa.
E, no último anel desta espiral,
com recibos por coluna vertebral,
do gesto aquisitivo, a estrénua caça
remexendo em ruínas e concheiros,
de humanos dias, só acha, verdadeiros,
restos de um anjo com dentadura falsa.
(de Poesia Completa, D. Quixote, 1999)

