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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Cavaco Silva e a SLN (II)

O que escrevi aqui a 1 de Junho de 2009, sobre este tema, mantém-se actual, pelo que apenas o reproduzo:
 
Sobre este assunto há perguntas a fazer:
Uma vez que a SLN (Sociedade Lusa de Negócios) não estava cotada em Bolsa, como é que Cavaco Silva soube da existência das acções, do seu valor, da melhor altura para comprar e para vender?
Se, com as acções cotadas na Bolsa, por vezes se detectam casos de informação privilegiada, punidos por Lei, que tipo de informação teve Cavaco Silva?
E é tudo o que tem de ser esclarecido.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Não devíamos saber já as funções de um Presidente da República?

Antes de qualquer acto eleitoral, seria conveniente esclarecer, explicar até à exaustão, quais as funções próprias de cada cargo a que os respectivos candidatos concorrem. Por exemplo, que nas legislativas não se elege directamente um 1.º Ministro, mas deputados à Assembleia da República, que concorrem em listas partidárias ou de movimentos  cívicos, e são eles que apresentam programas de governo, opções a médio e longo prazo para o desenvolvimento do país, e que, na eleição de um Presidente da República não se está a escolher uma pessoa para desempenhar funções executivas, mas estritamente as que a Constituição enumera.
Se isto fosse feito, seríamos, talvez, poupados às perguntas que os jornalistas têm feito, ao longo dos anos, principalmente aos candidatos à Presidência da República, em que os questionam até sobre os seus programas, como se os devessem ter, em vez de analisarem os respectivos currículos, as suas atitudes, coerências e incoerências, ao longo da vida, política ou não, partidária ou não, embora, a meu ver, todas as nossas opiniões e atitudes possam conter uma afirmação política mesmo fora de qualquer filiação partidária.
É que, desta confusão em que os próprios profissionais da comunicação social incorrem e transmitem, surgem as mais diversas teorias do "cidadão comum" sobre as funções do Presidente da República em Portugal, que muitos podem apressar-se a desculpar à conta da iliteracia, mas, se for esse o caso, essa iliteracia também grassa nos profissionais da comunicação social, pois são eles que induzem em erro através das perguntas que fazem aos candidatos como se estes fossem desempenhar funções executivas. Um exemplo para ilustrar o que digo está no facto de ouvir, recorrentemente, e em relação ao candidato Cavaco Silva, quando este se auto-avalia como um economista experiente, alguns cidadãos referirem o Presidente do Brasil, Lula da Silva, que, não tendo "estudos", relançou a economia brasileira em apenas dois mandatos. Depois, claro, há que explicar que, no Brasil, quem tem funções executivas é o Presidente, que não existe o cargo de 1.º Ministro, etc., e, depois desta explicação, o que é que o "cidadão comum" fica a pensar? Talvez: para quê, então, todo este circo, esta correria pelo país, de lés-a-lés, esta aparência de debates, este dispêndio do que não temos, quando os seus poderes são tão limitados e talvez fosse mais pertinente aprofundar a análise do carácter, da personalidade de cada um dos candidatos para saber qual o que melhor se adequaria a esse cargo de representação do país e de vigilante do cumprimento da Constituição? 
E talvez sejam estas pequenas coisas que contribuam para o aumento da abstenção.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Hoje, a minha indignação...

Em 1972 tive o prazer de trabalhar com a Comissão Executiva do 4.º Centenário da Publicação de "Os Lusíadas" (1572-1972), mais directamente com o Professor Hernâni Cidade (imagem em baixo) e o Dr. Sousa Barriga (de que não consigo lembrar-me do primeiro nome). 

Hernâni Cidade (1887-1975) foi um dos nossos mais conceituados especialistas em Poesia Medieval e Sousa Barriga era, na altura, Secretário-Geral da Presidência do Conselho de Ministros.
Nesse tempo, a PIDE (Polícia Internacional para a Defesa do Estado) já se chamava DGS (Direcção-Geral de Segurança) ou, melhor, PIDE-DGS, pois a primeira sigla nunca descolou até aos nossos dias, embora a sigla DGS designe agora a Direcção-Geral de Saúde, e que me provocou ainda alguma apreensão quando recebi, há alguns meses, uma "sms" desta DGS, que foi desfeita de imediato ao ler o seu conteúdo, contendo informações sobre a gripe.

Como, em 1972, era Primeiro-Ministro o Professor Marcelo Caetano, e embora eu não fosse funcionária pública, mas dadas as minhas funções e os terrenos em que me movimentava, é muito provável que me tenha sido exigido algum documento, de que também não me lembro, que atestasse a minha idoneidade, ou, pelo menos, o registo criminal, do mesmo modo que hoje se continuam a exigir os registos criminais para muitas áreas de actividade, certificados de habilitações literárias e profissionais e, para certos cargos, se tem que jurar pela nossa honra que cumpriremos com lealdade as funções de que nos incumbem.

Nunca pensei ter de trazer isto para o blogue, porque, em regra, não trato aqui de assuntos pessoais, mas não encontrei outro modo para mostrar a minha indignação pela forma como alguns quiseram aproveitar-se da situação pré 25 de Abril do professor Cavaco Silva, que, afinal, teve que seguir os procedimentos em vigor naquela altura, como qualquer outro cidadão português nas mesmas circunstâncias.

Não sou admiradora de Cavaco Silva, como é sabido, mas ainda admiro menos gente mesquinha, ignorante, que distorce os factos ao sabor da onda que lhe convém com o objectivo único de agradar, sem qualquer sentido crítico, reproduzindo apenas o que outros dizem e, como se já não fosse triste e grave, em mau português, e, por tudo isto, eu não podia ficar calada perante golpe tão baixo.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Assim, eu também não posso candidatar-me às presidenciais!

Na passada quinta-feira, no RCP, ouvi uma declaração de Alfredo Barroso, que foi chefe da Casa Civil de Mário Soares quando este desempenhou as funções de Presidente da República, em que dizia que Fernando Nobre nunca poderia ser Presidente da República porque não tinha qualquer experiência política, mas apenas médica e humanitária, acrescentando mesmo que tanto ele como Manuel Alegre eram apenas uns populistas de esquerda.
Se a Constituição Portuguesa diz que qualquer cidadão português, maior de 35 anos sem cadastro criminal, pode concorrer às eleições presidenciais e ser eleito, e sendo esta uma eleição pessoal e não estando a maioria dos portugueses filiada em partidos políticos, o que é que "essa experiência política" fornece que seja um bem superior ao carácter, honestidade, à dedicação aos outros, à cidadania activa de qualquer pessoa que deseje candidatar-se?

Nas fotos, da direita para a esquerda: Fernando Nobre e Alfredo Barroso.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

domingo, 11 de outubro de 2009

Autárquicas manchadas de sangue

Não sei o que é mais perturbador, se o assassinato hoje do marido da Presidente da Junta de Freguesia de Ermelo, Distrito de Vila Real, Glória Nunes, numa assembleia de voto de Fervença, se o facto de eu não me admirar que coisas destas aconteçam.
Se parece haver uma ideia generalizada de uma certa aversão à "classe política" a nível nacional, essa ideia aparece difusa, sem um rosto-alvo, ou porque quem está no poder não pode agir de outro modo por razões conjunturais, ou porque tem directivas da União Europeia a cumprir.
A nível local, os ódios são diferentes, são concretos, têm rosto, são ódios de pessoa a pessoa, pessoas que se conhecem melhor umas às outras e, por isso mesmo, as melhores ideias políticas para a localidade não são importantes mas sim as empatias ou os ódios pessoais.
A nível ainda mais micro, que é a gestão de um condomínio, já tive a experiência de me pedirem para aceitar a administração em anos em que não me competia (cabia-me de 10 em 10 anos), ou porque havia obras a fazer que implicavam quotas extraordinárias, ou porque havia assuntos delicados a tratar, designadamente em Tribunal, e, segundo os outros condóminos, eu era a única pessoa com experiência do cargo que não tinha relações cortadas com ninguém. Então, nesses anos, passei horas em reuniões com uns e outros, em mediação contínua de conflitos pessoais, e tive oportunidade de ver nos olhos e nas palavras de uns e outros esse tal ódio que se encontra em pessoas mesquinhas, e que é totalmente incompreensível. Também aí, e face ao exposto, só faltou que alguém tivesse perdido a cabeça como hoje aconteceu ao candidato António Cunha. Depois da minha tarefa concluída, houve ainda um que me disse: "depois do trabalho que a senhora fez, todos os que vierem a seguir na gestão do condomínio vão parecer incompetentes". Dadas as circunstâncias, nem vi nisto um elogio, e quanto aos que viessem a seguir seriam sempre incompetentes ao nível das relações humanas civilizadas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A "lavoura" agradece

O "pessoal da lavoura" está, concerteza, muito feliz com os vinte e um deputados eleitos pelo CDS-PP de Paulo Portas, que se vai esfalfar a defender e a proteger os pequenos e médios agricultores portugueses, além de ter conseguido atingir a meta desejada que lhe permitirá, quem sabe, vir a ser um partido charneira na vigência do próximo Governo da República. E como é mais que provável que o futuro Ministro da Agricultura não seja Jaime Silva (Paulo Portas rebentaria de raiva), foi a foto deste homem charmoso que escolhi para este postal, à laia de despedida.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Aqui d'El-Rei, a censura outra vez!


Li com estupefacção alguns blogues com textos indignadíssimos por o Jornal Nacional das sextas-feiras na TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes, ter acabado por decisão da PRISA, uma empresa privada. Os mesmos blogues que tinham feito de Manuela Moura Guedes o alvo de todas as críticas, algumas muito pessoais e de gosto duvidoso, durante meses, e os textos estão aí para o comprovar. Se estão apenas preocupados com o emprego dela, brevemente aparecerá noutro órgão de comunicação social, é só esperar mais um pouco.
Esta capacidade de argumentação para defender algo e o seu contrário existe desde que o ser humano existe, e há mais de cento e setenta anos que Arthur Schopenhauer, no livro Dialéctica Erística, da Editora Campo das Letras, desmontou esses estratagemas. E porque neste período pré-eleitoral normalmente agrava-se essa tendência, achei particularmente interessante o texto que está na capa do livro, que transcrevo: «Debates televisivos, talk shows de diversa índole, polémica política, oratória e retórica jurídicas, negociações económicas e laborais e até conversas entre amigos ou mesmo familiares são exemplos frequentes da manipulação argumentativa utilizada por um ou, por vezes, por todos os falantes. O tratado de Schopenhauer, escrito há mais de 170 anos, é, hoje em dia, particularmente actual, já que constitui um breve compêndio para desmascarar os "truques" ilícitos utilizados para provar qualquer tese.»
Quanto ao conteúdo do livro, não resisto a transcrever algumas observações de Schopenhauer ao estratagema 30:
«"Dizemos que é correcto o que parece ser para a maioria" (Aristóteles, Ética a Nicómaco, X, 2, 117 2b 36). Efectivamente não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, de que os homens não aceitem como própria se, na hora de os convencer, se argumentar que ela é universalmente aceite. O exemplo é de igual modo eficaz nos seus pensamentos e nos seus actos. São como ovelhas que seguem o carneiro aonde quer que ele vá: é-lhes mais fácil morrer do que pensar.» (p. 75)
«Resumindo: muito poucos são capazes de pensar; no entanto, todos querem ter opiniões; e, assim sendo, não será mais fácil ficar com as dos outros do que criá-las eles próprios? Perante estes factos, que valor poderá ter agora a verdade de cem milhões de pessoas?» (p.76)
«Intellectus luminis sicci non est recipit infusionem a voluntate et affectibus (o intelecto não é uma luz que arda sem azeite, precisa de ser alimentado pela vontade e pelas paixões - Bacon, Novum Organon I, 49).» (p.82)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Verdade e erro

«Belo é o risco e grande a esperança» Sócrates, o filósofo
«Quem pensa em grande, deve errar em grande» Heidegger
«O que este teorema nos diz é que existem evidentemente mais hipóteses de nos enganarmos quando nos arriscamos do que quando nos limitamos a seguir o curso dos acontecimentos, quando o nosso pensamento é um pensamento que assume riscos do que quando se trata de um pensamento que os evita ou os esconjura, quando jogamos uma alta parada do que quando não jogamos, quando nos expomos do que quando nos resguardamos, quando apostamos numa esperança do que quando nos contentamos em fazer render as aquisições de uma experiência e de um saber - numa palavra, temos mais hipóteses de nos enganarmos quando pensamos, do que quando não pensamos».
«É verdade que existem verdades vivas e verdades mortas e que a melhor maneira de fazer morrer a verdade é reescrever o texto para nele apagar a parte de indagação. É verdade que a ideia de uma verdade sem erro não faz mais sentido que a de um corpo sem anticorpos, de um mesmo sem o outro, de uma troca sem alteridade ou de uma luz sem a sua sombra. (...) A verdade nunca é prova ou indicação dela própria; a sua amplitude mede-se na quantidade de erros por que teve de passar, combater, ultrapassar e, no final de tudo, pelos erros que teve de conservar; uma verdade que tenha economizado não só esta travessia, como esta conservação, uma verdade que não se tenha transformado em museu dos seus próprios erros e negatividades, numa palavra, uma verdade que só brilhasse pela sua positividade de verdade soberana e advinda, essa verdade seria uma verdade vulnerável, sem defesas, no sentido em que se fala de um corpo que perdeu as suas imunidades e que seria, portanto, infectado ao menor ataque - seria uma verdade frágil, enfezada, literalmente débil e, sobretudo, desarmada face ao contra-ataque, sempre possível, do erro.»
Transcrevi estes excertos do livro O Século de Sartre, de Bernard-Henri Lévy, pp 517, 526, 529/30, porque andava a precisar de esclarecimento sobre a verdade na "política da verdade" a que se refere Manuela Ferreira Leite, bem como sobre a verdade que saltita de boca em boca de outros políticos. Vou continuar a minha indagação.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Violência na blogosfera

O que se está a escrever nos diversos blogues de simpatizantes dos dois maiores partidos que concorrem às próximas eleições é lamentável. O nível a que desceu a linguagem com que se agridem mutuamente está já abaixo de zero. Parece que só falta o confronto físico. Bem sei que debater ideias é mais difícil, e respeitar as ideias de cada um, educadamente, é mais difícil ainda. Mas podiam tentar. Sejam quais forem as "lebres" que os diversos jornais lancem, ora por uns ora por outros, tentem manter o decoro.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um possível diagnóstico para Joana Amaral Dias

«Costumo dizer que o psicótico, em termos afectivos, é o pobre que sempre foi pobre, enquanto o depressivo é o rico que empobreceu ao ser-lhe retirado o afecto com que contava.»
«A maioria das perturbações psíquicas não são de origem orgânica, são perturbações relacionais, e é nesse âmbito que temos de intervir de um ponto de vista preventivo. Quando encontramos perturbações individuais, não podemos esquecer que elas significam uma perturbação das relações entre os indivíduos. É entre o exterior e o interior que a doença ou a saúde mental se decidem.»
(in o Desespero, do Professor António Coimbra de Matos)
Sabemos como as relações entre Joana Amaral Dias e Francisco Louçã ficaram a partir do momento em que ela apoiou a candidatura de Mário Soares à Presidência da República. O ter sido preterida na direcção do BE, por causa disso, equivaleu à "perda de um afecto com que contava", o de Louçã, de modo que a sondagem que lhe foi feita sobre o seu eventual interesse em fazer parte das listas do PS por Coimbra despoletou apenas uma oportunidade de mostrar a Louçã que outros estariam interessados no seu contributo político e, a partir daí, tentar pôr um ponto final nessa "perturbação relacional" com Louçã dentro do Bloco de Esquerda.