Depois de ontem ter ficado muito satisfeita por ter sido premiada a qualidade literária e humana em vez da quantidade e da vaidade e, por isso, o Prémio Nobel da Literatura ter sido muito bem entregue a Herta Müller, estou, no entanto, ainda incrédula com a escolha de Barack Obama para o Prémio Nobel da Paz, que a Academia do Nobel reservava para distinguir pessoas ou organizações que lutaram, por vezes vidas inteiras, pela paz, através dos mais diversos caminhos, o que não é o caso de Obama, por enquanto.Assim, só posso entender a atribuição deste prémio, não pelo que fez mas pelo que se espera que venha a fazer, e isso não é justo para quem está no terreno todos os dias, colocando a vida em risco, e já com trabalho feito e provas dadas ao longo de décadas, enquanto Obama lutou na última década pelas suas ideias e na preparação da sua ascenção política apenas e só nos E.U.A., ou seja, por uma sociedade mais justa para os seus concidadãos.
Quanto à melhoria das relações com o Irão e a Rússia, os entendimentos para a diminuição do armamento nuclear, a estabilização do Iraque ou do Afeganistão, a preservação da natureza, etc., são assuntos tão recentes para Obama como recente é a sua eleição como Presidente dos E.U.A.
A não ser que o Prémio Nobel da Paz já não sirva para destacar acções mas apenas intenções, e isso é absurdo.
(fotos: Obama e Herta Müller)

