terça-feira, 22 de setembro de 2009

Senhor Presidente, continuo à espera de ouvir o que tem para dizer

Não querendo ir pelo ditado simplista "diz-me com quem andas dir-te-ei quem és", convenhamos que Cavaco Silva é um fraco avaliador do caracter das pessoas, mesmo que com elas conviva dezenas de anos. E é também teimoso nas suas apreciações, prolongando no tempo situações insustentáveis, porque confia na palavra das pessoas que escolheu, mesmo quando a realidade dos factos lhe demonstra o contrário, porque as considera suas amigas e, num mundo ideal, um amigo não mente nem trai.
Mas não vivemos num mundo ideal e também não parece sensato confundir a amizade com a capacidade para desempenhar qualquer função. Aos amigos somos capazes de desculpar se nos decepcionam, e só nós somos atingidos. No caso de desempenharmos cargos públicos e políticos, os erros desses amigos que escolhemos não nos atingem apenas a nós mas a um país inteiro, aumentando o grau de desconfiança numa ou em várias classes profissionais.
Senhor Presidente da República estou à espera que diga de sua justiça, quer resigne ou não resigne. Pessoalmente, a primeira hipótese não me incomoda, mesmo com eleições no próximo Domingo, porque a Constituição prevê todas estas situações e "o poder não cairá na rua". Além disso, é ao governo que compete a gestão diária da res publica, não ao Presidente.
(na imagem: Cavaco Silva e Fernando Lima, assessor para a comunicação social demitido ontem)

4 comentários:

vbm disse...

Há uma hipótese - politicamente, maquiavélica ou espinosista -, que o teu texto não avança: a de a demissão do assessor justificar-se pela inabilidade demonstrada na manipulação da opinião pública!

A dar-se o caso, a possível atitude de não-resignação do presidente poderá ter valor político se integrada numa estratégia de contrariedade da governação actual com vista a substituí-la por outra hipoteticamente preferível por mais benéfica...

Mas, a ser assim, se o próximo governo tiver a mesma chefia partidária do actual, cumprir-lhe-á adoptar uma política que clara e insofismavelmente seja superior à da que se lhe oponha, para bem da sociedade.

De qualquer modo, e no estrito plano crítico da demissão do assessor, sem dúvida que o incidente revela alguma incompetência política do presidente; mas considero que ele fez bem em demitir o assessor, seja por sanção de abuso de poder, seja por censura da sua inabilidade.

...

:)

Ana Paula disse...

Eu também estou à espera, Maria Josefa.
E, confesso, situações como esta (e outras) provocam-me uma profunda tristeza e desilusão.

Maria Josefa Paias disse...

E são para provocar tristeza, Ana Paula. Quanto à desilusão, só posso falar por mim, e essa não a senti porque não estou iludida quanto ao que posso esperar de todos os intervenientes.
Mas não deixo que toldem o meu raciocínio nem que belisquem a minha tranquilidade.
Um grande abraço.

Maria Josefa Paias disse...

vbm, só agora reparei que não agradeci o seu contributo, pelo que lhe apresento desculpas. Devo ter ficado presa na hipótese maquiavélica ou espinosista, que fez curto-circuito no meu cérebro um pouco cansado.
Muito obrigada e desculpe.
Um abraço.