segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Reunião dos Ministros das Finanças da U.E. sobre situação da Grécia

Os Ministros das Finanças da União Europeia reúnem-se hoje e amanhã em Bruxelas para avaliarem a situação da Grécia, cujo défice começa já a pesar no valor do euro.
Segundo uma sondagem recente, mais de 50% dos gregos estão conscientes da necessidade de uma cura de austeridade e de que os seus governos demoraram muito tempo a tomar as medidas necessárias. Dizem que estão prontos para os sacrifícios que lhes forem pedidos, excepto num ponto: opõem-se a que a idade da reforma passe dos 61 para os 63 anos (em muitos países da União a idade da reforma é aos 65 anos e há quem esteja a ponderar fixá-la nos 67, não só para controlo das despesas mas, também, devido ao aumento médio da esperança de vida).
Assim sendo, não me parece que os gregos estejam, de facto, conscientes, como diz a sondagem, da necessidade de austeridade, ou então disseram o oposto do que na realidade pensam.
Pela primeira vez, a União Europeia vai fazer um controlo apertado, de dois em dois ou de três em três meses, à aplicação do plano grego de redução do défice e das despesas.
De momento não vão ser anunciadas medidas de apoio directo à Grécia, por duas razões: para não levar os especuladores a aproveitá-las em benefício próprio e para que o governo grego não creia que pode abrandar os seus esforços no controlo das despesas do Estado face às manifestações de descontentamento que quase todos os dias saem à rua, bem como às greves gerais ou parciais que também já se verificaram e que, tudo leva a crer, não irão parar.

(Na foto: Georges Papaconstantinou, Ministro grego das Finanças)

Fonte: RFI

4 comentários:

analima disse...

Eu sei que a situação não está para brincadeiras mas... Os gregos estão conscientes, sim, mas com praias daquelas, quanto mais cedo se reformarem mais tempo as poderão gozar. :)

Maria Josefa Paias disse...

Ai Ana, se não formos lá também pela brincadeira, ainda ficamos mais sorumbáticos do que o que já somos :)
Obrigada e um beijinho.

Rudolfo disse...

Pois é, Josefa, estamos cada vez mais perto de uma grande desgraça e digo isto sem estar a querer ser alarmista, mas a verdade é que a tragédia grega parece um castelo de nuvens flamejantes que se aproximam deste nosso porto que, para nosso mal, vai deixando de ser de abrigo.
Vejo com muita apreensão os tempos que aí vêem, pois não se vislumbram soluções exequíveis dentro do actual quadro de poder e, uma vez que estamos confinados a obrigações internacionais por causa de participarmos numa moeda única, para além, claro está, da pressão que os credores sempre têm a possibilidade de fazer, tudo indica que estamos no plano inclinado que nos conduzirá às medidas draconianas a que não nos conseguiremos subtrair para pormos as nossas contas em dia. Seremos nós capazes de dar conta do recado? Sinceramente não sei e temo que não.
Mas é precisamente isso o que mais me assusta. É que se não formos capazes alguém terá que ser por nós e quando chegamos a essa bifurcação ficamos sempre na angústia de termos que decidir, com os olhos fechados, qual dos caminhos estará a salvo das minas. Quer dizer, é tão corriqueiro nestas situações o aparecimento dos iluminados que pela força de uma ditadura se prestam a fazer o trabalho… Eu sei, eu sei que se costuma dizer que estamos na Europa, na União Europeia e que isso nos põe a salvo de um cenário desses. Não teria assim tanta certeza, pois uma ditadura pode assumir muitos contornos e, hoje em dia, tem muitos meios tecnológicos à disposição para se fazer sob a capa de uma sociedade mais ou menos aberta.
Façamos votos para que o pessimismo esteja a falar por mim, por efeito do dia que, sem Sol, sem as cambiantes das cores que os jogos de luz e sombras provocam, sempre fica mais tristonho.

Fique pois em paz e com muita saúde, minha cara senhora

Rudolfo Wolf

Maria Josefa Paias disse...

Rudolfo Wolf,

De facto a situação grega é ainda pior do que se imaginava devido aos desvarios que fizeram, de forma encapotada, desde os primeiros anos deste século, e por isso desta reunião que terminou ontem foi exigido que a Grécia apresente, no prazo de um mês, medidas concretas para baixar o défice, uma vez que os outros países da União não estão dispostos a "pagar" as asneiras da Grécia e têm os seus próprios problemas para resolver, e alguns até acham que o melhor era este país sair da zona euro. Vamos ver até quando o governo grego recusa a intervenção do FMI.

A nossa situação, não sendo igual, não deixa de ser preocupante e espero pela elaboração do PEC a apresentar à União Europeia para ver se as medidas são adequadas para se ultrapassar a situação de forma sustentável e duradoura.

Muito obrigada e um abraço.